São Paulo

Jagunços que fizeram massacre contra MST serão julgados pelo júri

Sessões vão de 28 de setembro a 2 de outubro e envolvem acusação por duas mortes e seis tentativas

A Justiça marcou o julgamento de quatro réus acusados de envolvimento na chacina do assentamento Olga Benário, em Tremembé, na quinta-feira (18). A decisão da 5ª Vara do Júri da Capital estabeleceu sessões entre 28 de setembro e 2 de outubro, no Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo. Os acusados respondem por dois homicídios qualificados e seis tentativas de homicídio qualificado, após ataque armado contra moradores ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Irão a júri popular Antônio Martins dos Santos Filho, conhecido como “Nero do Piseiro”, Ítalo Rodrigues da Silva, Geonatas Martins Bispo e Gilson da Silva Santos. A previsão é que o julgamento dure cinco dias, em razão da quantidade de réus, testemunhas e provas a serem analisadas no plenário. A marcação do júri ocorre mais de um ano depois do massacre, ocorrido em 10 de janeiro de 2025.

Na noite do ataque, um grupo armado chegou ao assentamento em veículos e motocicletas e abriu fogo contra os moradores. O assentamento Olga Benário fica na Estrada Kanegae, em Tremembé, no Vale do Paraíba. A violência deixou dois mortos: Valdir do Nascimento de Jesus, de 52 anos, apontado como uma das principais lideranças do MST na região, e Gleison Barbosa de Carvalho, de 28 anos, filho de um assentado.

Outras seis pessoas ficaram feridas. Entre as vítimas havia homens e mulheres de 18 a 49 anos. Um dos feridos foi atingido na cabeça e chegou a ficar em estado grave. Os sobreviventes foram levados ao Hospital Regional de Taubaté e a outras unidades de saúde da região. O ataque causou forte comoção por atingir diretamente uma comunidade organizada em torno da luta pela terra.

Após a chacina, a Polícia Civil criou uma força-tarefa para investigar o caso. Antônio Martins dos Santos Filho foi preso no dia seguinte ao ataque. A investigação apontou que ele admitiu participação no crime e teria exercido papel de liderança na organização do grupo que invadiu o assentamento. Durante as diligências, a Delegacia de Investigações Criminais encontrou em Taubaté um carro suspeito de ter sido usado pelos criminosos. O veículo estava abandonado em um terreno baldio no bairro Parque Aeroporto e foi encaminhado para perícia.

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