A Coreia do Norte denunciou, nesta quinta-feira (18), a declaração do G7 que exige a “desnuclearização completa” do país asiático. Kim Yo Jong, dirigente norte-coreana e irmã do líder Kim Jong-un, afirmou que a exigência das principais potências imperialistas constitui uma violação da Constituição do país e uma usurpação de sua soberania.
A declaração foi divulgada pela agência estatal KCNA em resposta ao comunicado emitido pelos líderes do G7 após a cúpula realizada em Évian, na França. No documento, o grupo formado por Estados Unidos, Japão, Alemanha, França, Reino Unido, Itália e Canadá expressou “profunda preocupação” com os programas nuclear e de mísseis balísticos da Coreia do Norte e reafirmou seu compromisso com a desnuclearização completa do país, de acordo com resoluções do Conselho de Segurança da ONU.
Os países que acumulam os maiores arsenais nucleares do mundo, mantêm bases militares espalhadas pelo planeta e promovem guerras contra países atrasados exigem que uma nação ameaçada permanentemente abra mão de seu principal meio de defesa.
Kim Yo Jong respondeu que a desnuclearização é um assunto “irreversivelmente encerrado” e que jamais será realizada. Segundo ela, a posse de armas nucleares é um interesse fundamental da Coreia do Norte e uma linha que não pode ser ultrapassada.
“A desnuclearização é a linha de não recuo que nunca pode ser cruzada”, afirmou Kim Yo Jong, segundo a KCNA. Ela acrescentou que qualquer tentativa de atingir os interesses fundamentais de um Estado dotado de armas nucleares constitui “a pior escolha possível de convidar ao desastre”.
A dirigente norte-coreana afirmou ainda que as armas nucleares do país são um meio de dissuasão para a autodefesa, obtido em resposta às ameaças nucleares persistentes de seus inimigos. Para a Coreia do Norte, o arsenal nuclear não é um instrumento de agressão, mas uma “pedra angular” para garantir a paz diante do cerco promovido pelos Estados Unidos e seus aliados.
A posição norte-coreana é uma resposta direta à política de chantagem das potências imperialistas. O G7 não fala em desarmar os Estados Unidos, potência que utilizou armas nucleares contra Hiroxima e Nagasáqui, nem em desmontar a presença militar norte-americana na península coreana e no restante da Ásia. A exigência recai apenas sobre a Coreia do Norte, justamente o país ameaçado.
Além de exigir a desnuclearização, os líderes do G7 também pressionaram o país asiático sobre o caso de supostos cidadãos japoneses sequestrados e defenderam uma ação conjunta contra supostos roubos de criptomoedas e crimes cibernéticos atribuídos à Coreia do Norte.
A declaração do G7 aparece em meio ao aumento da pressão imperialista no chamado Indo-Pacífico. No mesmo comunicado, o grupo reafirmou sua oposição a mudanças no Mar do Sul da China, no Mar do Leste da China e no Estreito de Taiuã, deixando claro que a ofensiva contra a Coreia do Norte faz parte da política mais ampla de cerco à China e aos países que resistem à dominação norte-americana.
Kim Yo Jong declarou que os argumentos em favor da desnuclearização estão “completamente ultrapassados” e não serão aceitos, independentemente das críticas feitas pelo G7 ou por qualquer outro organismo controlado pelo imperialismo.




