O governo do Reino Unido anunciou restrições ao uso de redes sociais por menores de 16 anos, no Reino Unido, na quarta-feira (17), com bloqueio previsto a partir da próxima primavera. A medida também desligará por padrão transmissões ao vivo e comunicação com desconhecidos para jovens de 16 e 17 anos; jovens ouvidos pelo The Guardian criticaram o plano como confuso, excessivo e ineficaz.
A proposta atinge plataformas como Instagram, Tique Toque, a plataforma de vídeos do Google, Snap, Facebook e X. O bloqueio integral será direcionado a menores de 16 anos, enquanto os jovens de 16 e 17 anos sofrerão restrições específicas, principalmente em transmissões ao vivo e contato com pessoas desconhecidas, inclusive em jogos eletrônicos. O governo apresenta a medida como forma de proteger crianças e adolescentes de abusos, vício em redes e danos à saúde mental. O Reino Unido é o país com mais prisões por postagens na Internet, um dos que mais reprime a defesa da Palestina e está em processo mais avançado de fechamento do regime político em comparação com os países europeus.
As críticas vieram justamente de jovens que seriam afetados pelas restrições. Uma adolescente de 16 anos da Escócia afirmou que terminará a escola e irá para a universidade aos 17, mas não poderia fazer transmissões ao vivo, apesar de já poder votar, sair de casa, casar, pagar impostos e se alistar. Ela também disse ter usado transmissões de revisão para exames e alertou que estudantes mais novos temem perder esse tipo de recurso.
Outro jovem de 16 anos do sudeste da Inglaterra ouvido pelo The Guardian, jornal britânico, questionou a falta de respostas práticas sobre a aplicação da regra. Para ele, a proposta parece ter sido lançada mais como vitória política de aparência do que como solução baseada em provas. A ideia de toque de recolher digital também foi tratada como pouco séria, pois o governo não teria explicado como controlaria o uso real dos aparelhos.
Há ainda críticas ao fato de a medida responsabilizar crianças e adolescentes, e não as empresas de tecnologia. Um jovem de Gales afirmou que crianças menores poderiam ser alvo de restrições, mas que adolescentes não deveriam ser tratados como bebês. Uma jovem de Iorque afirmou que a proibição pune os usuários, quando as limitações deveriam recair sobre as empresas responsáveis pelos serviços e pela estrutura das plataformas.
Nem todos os adolescentes rejeitaram o plano. Uma jovem de 16 anos, de Shropshire, destoou dos demais e afirmou que a intenção de proteger crianças contra predadores e vício na internet é positiva.
Contudo, mesmo entre os que apoiam algum tipo de limite, prevaleceu a dúvida sobre a eficácia. Um jovem de 17 anos, de Edimburgo, disse que adolescentes encontrarão formas de burlar o bloqueio, como já ocorre com controles parentais comuns. Outros alertaram que a proibição pode empurrar jovens para espaços menos regulados, dificultando ainda mais a proteção. Também houve preocupação com grupos marginalizados que usam comunidades virtuais como espaço de amizade, apoio e expressão criativa. A proposta, assim, abriu uma disputa entre proteção estatal, liberdade de uso e responsabilidade das empresas.
A proposta evidentemente não está fora do contexto maior de tendência política britânica a leis repressivas e de censura, que já está em estágio avançado. Ela é consequência da grande rejeição da juventude e da classe operária em geral à agressividade do bloco imperialista, do qual o Reino Unido faz parte. Manifestações Pró-palestina alcançaram centenas de milhares de pessoas em Londres e as mobilizações não se enfraqueceram com o tempo. O projeto visa, nesse sentido, limitar a capacidade de organização e de obtenção de informações dos mais jovens.



