Gabriel Araújo

Dirigente Nacional do Movimento Nacional de Luta pela Moradia, Editor da Tribuna do Movimento e do Boletim do Movimento. Militante do Partido dos Trabalhadores e colunista do Voz Operária-Rio de Janeiro.

Coluna

A censura do bem

O identitarismo é uma política burguesa criada em universidades principalmente norte-americanas e financiada pelo aparato de Estado deste país

Um segmento atrasado da esquerda, pequeno-burguês, composto por alguns elementos desqualificados que nunca tiveram contato com o marxismo, ou que tiveram e o abandonaram, ou que ainda mantêm esse contato e o deturpam, serve para a burguesia como elemento crucial para legitimar que o aparato repressivo do Estado Capitalista pudesse estabelecer no Brasil e em outros lugares uma política de censura. O grande fantoche para que essa linha política de censura e perseguição pudesse ser levada adiante e se consolidasse no país foi através do verniz da tal luta pela democracia e contra o tal do discurso do ódio. Ou seja, esse segmento da esquerda se deslocou das pautas fundamentais e que vão de encontro aos problemas concretos da classe trabalhadora para ir de encontro com as chamadas pautas identitárias e de caráter meramente ideológico e moral.

O identitarismo é uma política burguesa criada em universidades principalmente norte-americanas e financiada pelo aparato de Estado deste país (e de países aliados) com o objetivo de constituir um segmento privilegiado daquilo que era chamado de minoria, sendo esse segmento cooptado pela burguesia para dar ares de que é possível ascender socialmente na sociedade capitalista. Em paralelo ao processo de ascensão social desse segmento, que se torna então privilegiado (aburguesado), é constituída toda uma política institucional no aparato do Estado Capitalista para defender os interesses individualistas desse segmento privilegiado sob a maquiagem da defesa das tais minorias.

O Brasil é um país com uma das maiores populações carcerárias do mundo. Esse arcabouço político-institucional que diz proteger as tais minorias, na realidade, estabelece um conjunto de leis repressivas que atingem somente aos trabalhadores, porque todo brasileiro sabe que rico nenhum no país vai preso. Afinal, estes últimos são os donos dessa superestrutura política, ideológica e repressiva chamada Estado. Essa avaliação já mostra a falta de sustentação do argumento que os identitários utilizam para estabelecer suas legislações inquisitórias, justamente devido ao fato de que essa legislação reprime os oprimidos. Para desmontar essa argumentação em defesa da repressão, basta questionar qual a classe social, a cor e a escolaridade dos quase um milhão de homens e mulheres que se encontram presos no Brasil.

Essa política identitária e repressiva, conduzida pela grande burguesia e pelas minorias aburguesadas, tem vários aspectos além de contribuir com a política do encarceramento em massa. Todos esses aspectos se valem de fachadas moralistas. Destes vários aspectos que existem, para que o leitor possa compreender, menciono aqui a censura e o linchamento moral. A censura chegou a um ponto tal que no Brasil é permitido que empresas estrangeiras de comunicação e de redes sociais derrubem perfis que não rezam a sua cartilha, tudo isso em nome do combate ao discurso do ódio e da extrema-direita. Um verdadeiro vale-tudo em nome da luta do bem contra o mal. Só que, assim como a burguesia é a dona do Estado, ela também é a dona dessas empresas e, pior ainda, os donos nem possuem nacionalidade brasileira e, portanto, não podem dizer aquilo que os brasileiros devem ou não fazer. O exemplo mais claro dessa censura do bem contra o mal é o caso de quando se denuncia o genocídio do povo palestino pelos sionistas. Estes últimos sempre procuram tentar limpar suas mãos cheias de sangue com o argumento de que essa denúncia seria antissemitismo, quando na realidade eles fazem pior do que o que foi feito com os judeus na Alemanha nazista.

O linchamento moral tem destruído a reputação de diversas pessoas, estabelecido um clima de perseguição política e judicial, porque afinal, quem vai ficar ao lado de quem “ataca” os bastiões da moralidade? Quem vai se contrapor aos moralistas defensores das tais minorias? Esses moralistas não precisam apresentar prova de nada nesse sistema repressivo, basta que façam denúncias sem provas e que as mesmas sejam propagadas na grande imprensa. Exemplos recentes de quadros de esquerda que têm passado pelo linchamento moral e pela perseguição político-judicial são os professores Silvio Almeida e Alysson Mascaro. Ambos de esquerda.

O clima repressivo que existe no país é enorme. O debate público é um terreno perigoso que pode dar cadeia, só não para aqueles que controlam a política, o judiciário e a economia. Conheço inúmeros companheiros e companheiras que ficam profundamente receosos de adotar uma posição política por causa da repression… digo, repressão. É papel dos marxistas, dos revolucionários, patriotas e verdadeiros democratas, desnudar essa situação e combatê-la frontalmente!

* A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a deste Diário

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