Valéria Guerra

Jornalista (UMESP), historiadora, atriz com DRT-RJ, escritora, colunista do 247, PCO, e do meu site (https://guerraluz.prosaeverso.net/); mestre em Intervenção Psicológica no Desenvolvimento e na Educação; professora do Estado do RJ na cadeira de biologia, poetisa e ativista contra a desigualdade no Brasil e no mundo.

Coluna

O andar de baixo ainda sangra

"Conhecereis a verdade e a verdade os libertará".

A situação estrutural em nosso País continua no modo desigualdade. Passar ao equilíbrio social seria o ideal, porém há entraves de natureza política e jurídica: “O Supremo Tribunal Federal (STF) validou os descontos previdenciários e as regras de cálculo que limitam os proventos de servidores inativos no Rio de Janeiro. A Corte confirmou que a Reforma da Previdência permite o cálculo do benefício abaixo de 100% do vencimento e autorizou a taxação de aposentados para cobrir o déficit.”

Os comandantes do sistema vigente não fazem cerimônia na hora de oprimir votantes e não votantes.

A equação é simples: o panorama geral do “andar de baixo” da pirâmide social brasileira mostra que a base vive em um cenário de subsistência, com rendimento médio mensal per capita de apenas R$663. Enquanto a economia nacional e o rendimento geral do trabalho batem recordes históricos, quem está na base enfrenta um fosso profundo em relação ao topo. Os dados mais recentes das pesquisas oficiais do IBGE (PNAD Contínua) e indicadores econômicos traduzem a base da pirâmide em três eixos principais:

  1. A Renda da Base vs. O Topo:

    O andar de baixo (40% mais pobres): Sobrevive com uma renda média per capita de R$663 por mês. Nos lares que dependem diretamente do Bolsa Família, essa média per capita fica em R$774.

    O topo (10% mais ricos): Possui um rendimento médio mensal por pessoa de R$ 9.117.

    O abismo: A renda do topo é 13,8 vezes maior do que a renda de quem está no andar de baixo, apontando que a distância entre as classes aumentou ligeiramente no último período.

  2. O Índice de Gini e a Concentração:

    O Índice de Gini do rendimento domiciliar no Brasil está em 0,511. Como esse número se aproximou de 1, significa que a desigualdade subiu recentemente porque a renda dos mais ricos cresceu de forma mais intensa do que a dos mais pobres. Na prática, o 1% que comanda o topo da pirâmide detém uma massa de rendimento equivalente a quase 37 vezes toda a renda somada dos 40% que estão na base.

  3. O Retrato de Sobrevivência:

    Matematicamente, o resultado para quase metade do país é o acúmulo zero de capital. Cerca de 90% dos brasileiros têm renda inferior a R$3,5 mil por mês. Como a inflação oficial de itens básicos (como alimentos e energia mensurados pelo IPCA/IBGE) corrói o poder de compra, o consumo essencial é igual ou maior que a renda disponível. Não sobra margem para poupança, investimento educacional ou mobilidade.

“Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”.

* A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião deste Diário

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