Reflexões sobre a propaganda eleitoral é um artigo dividido em quatro partes de José Ricardo Figueiredo, publicado no sítio A Terra é Redonda neste sábado (13), que pede mais censura nas redes, como vem acontecendo com a maioria da esquerda, o que representa um completo abandono das reivindicações históricas do socialismo.
Na parte 1 do texto, Figueiredo busca fazer uma análise sobre a propaganda eleitoral gratuita no Brasil, que migrou do rádio e TV para as plataformas digitais. Seu argumento principal é que, ainda que as ferramentas de comunicação mudem, o que importa é quem as controla e em prol de quais interesses são utilizadas. Isso em tese está correto, mas a censura que o autor pede vai ao encontro desses interesses que ele pretende denunciar.
Segundo argumenta, entre os períodos de 1980 e 2010, a propaganda teria servido para “oxigenar” o debate político, e havia ali uma contraposição da visão do PT com o conservadorismo que serviu para melhorar suas posições em pesquisas.
Porém, o que dava realmente visibilidade ao PT eram as lutas dos trabalhadores, que naquele momento depositavam sua confiança no Partido radicalizado pela imposição das massas, que acreditavam ser ele o caminho para conquistas e mudanças reais na política. Os debates e a propaganda eleitoral cumpriram um papel lateral, ainda que seja importante que a esquerda se utilize de todos os meios para se dirigir aos trabalhadores.
Figueiredo diz que após o impeachment de Dilma Rousseff – mas deveria ter dito golpe –, o Congresso, majoritariamente de direita, reduziu pela metade o tempo de propaganda gratuita justificando corte de gastos.
Em continuação, Figueiredo diz que o esvaziamento “esvaziamento da propaganda eleitoral gratuita foi simultâneo à abertura do novo palco eleitoral, as redes digitais, que já se mostraram muito atuantes na articulação das manifestações de 2013 a 2016, junto à dobradinha Veja–Globo. Atuaram, portanto, na eleição apertada de Dilma Rousseff contra Aécio Neves e, depois, em prol do impeachment da Presidenta.”
Ainda que a direita utilizado as plataformas digitais, em 2013 as redes sociais foram fundamentais para desmascarar a grande imprensa e revelar a brutalidade da polícia contra os manifestantes.
Naquele período, foram vídeos feitos por pessoas comuns que mostraram a polícia jogando gás lacrimogêneo dentro de apartamentos, espancando pessoas que não faziam absolutamente nada, policiais depredando viaturas para culpar manifestantes, etc., e tudo isso deixou absolutamente claro o quanto a grande imprensa mente e distorce os fatos.
As redes, nesse sentido, serviram de impulso para que todas as pessoas, indignadas com o que viam, comparecessem em número cada vez maior nas ruas. Com isso, ficou claro para a burguesia que era urgente censurar as redes sociais, não por conta de notícias falsas, mas justamente para ocultar a verdade.
Quanto ao acirramento da disputa entre Dilma e Aécio, houve uma enxurrada de notícias falsas e manipulações antes das eleições. Além disso, não se pode descartar a possibilidade de fraude. Naquele momento a imprensa fazia sua parte mentindo que a presidenta tinha apenas 10% de aprovação às vésperas das eleições.
A redução da propaganda eleitoral não foi obra apenas do Congresso. A cada eleição, o Superior Tribunal Eleitoral (TSE) vai impondo mais e mais restrições. Antigamente, se podia colocar cavaletes nas ruas, faixas, pregar cartazes, distribuir santinhos, disputar o voto na boca da urna. Hoje, tudo é proibido e virou crime. Apenas a direita tem se favorecido com essas medidas judiciais, todas ditadas pela burguesia.
O medo irracional das redes
Figueiredo alega que “nas eleições de 2018, a força bolsonarista nas redes apareceu e assustou pelo volume e, particularmente, pelo conteúdo, simbolizado por uma mamadeira pornográfica. A expressão ‘fake-news’ foi incorporada às conversas coloquiais. E essa ferramenta de comunicação continuou atuante no governo Bolsonaro, foi central para a tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023, e continua atuante, agora com o incremento tecnológico da Inteligência artificial.”
A maioria da esquerda caiu no conto do vigário de que foram as notícias falsas, as mamadeiras de piroca nos aplicativos de mensagem que fizeram Fernando Haddad perder as eleições de 2018.
Os esquerdistas apagaram da memória o julgamento-farsa do Mensalão, o golpe contra Dilma Rousseff, a aberração da Lava Jato, a prisão ilegal de Lula; e só falam de fake news, por isso não conseguem fazer uma avaliação correta da política nacional. Por isso tiram conclusões absurdas de que “por conta desta força da ferramenta digital em mãos fascistas, as eleições presidenciais de 2022 ensejaram importante atuação do STE, então presidido pelo ministro Alexandre de Moraes, no sentido de controlar as notícias falsas e as manifestações de ódio nas redes digitais, já encontrando resistência das grandes redes telemáticas multinacionais.”
Moraes votou pela prisão inconstitucional de Lula. Que notícias falsas Moraes controla? A grande imprensa continua mentido e nada acontece. O juiz é um golpista, ajudou a eleger Bolsonaro, mas é elogiado por quem deveria criticá-lo.
Além do delírio de dizer que “o argumento esgrimido por estas redes, assim como pela propaganda bolsonarista, assenta-se na liberdade de expressão. Como se esta fosse absoluta, isenta de limites de respeito ao ser humano e à Constituição.” A Constituição diz que livre a expressão do pensamento, mas vedado o anonimato. E agora, como fica o argumento dessa gente que defende a censura em nome da liberdade?
Censura
Para Figueiredo, “o argumento “libertário” é falso principalmente porque as redes impõem suas próprias regras. Um caso emblemático é a censura imposta pelo YouTube ao canal do portal Brasil 247, quando proibiu a continuidade da divulgação das reportagens do jornalista Joaquim de Carvalho sobre a suposta facada em Bolsonaro” Acontece que a plataforma alegou “discurso de ódio”, exatamente aquilo que os espertos da esquerda querem que se censure.
O senhor Alexandre de Moraes também bloqueou canais ligados ao PCO, em ano eleitoral, por conta de supostas fake news, mas não retirou do ar apenas os vídeos com supostas falsidades, mas o canal inteiro, o que configura abuso de poder e censura prévia.
Tanto o YouTube quanto o STE e o STF estão a serviço da burguesia. A censura nas redes avança no mundo todo, sob a desculpa de “coibir a divulgação de postagens inconstitucionais como as de racismo, misoginia, pedofilia, ataques à democracia”.
Enquanto se avança para que menores sejam proibidos de acessar as redes sociais para sua suposta proteção, o Congresso está aprovando a redução da maioridade penal para 16 anos. Ou seja, não pode navegar na internet, mas ir para a cadeia, tudo bem.
Continua…





