Copa do Mundo 2026

A campanha contra a Seleção é uma campanha contra o Brasil

Apesar de ser o celeiro mundial de jogadores de futebol, de ter a maior quantidade de títulos, de revelar os melhores jogadores, a Seleção é perseguida pela esquerda e pela direita

Seleção Brasileira

Toda vez que a Seleção Brasileira de Futebol entra em campo, tem a certeza de que terá de enfrentar mais de um adversário. Além do outro time, e de um arbitragem quase sempre tendenciosa, existe uma campanha feroz na imprensa, tanto de direita quanto de esqeurda que ataca o time nacional.

Em veículos, como o UOL, existem pessoas destacadas especialmente para malhar a Seleção. Mas a toda hora se depara também com textos como o artigo A estreia do Brasil na Copa mostrou que não somos o país do futebol, de Alexandre Machado Rosa, publicado no Brasil 247 neste domingo (14).

Alexandre Machado Rosa começa dizendo que “a estreia da seleção brasileira na Copa de 2026 foi exatamente aquilo que já se previa. Uma equipe sem padrão de jogo definido, sem um meia capaz de reter a bola, organizar as ações e pensar o jogo. Na defesa, lentidão preocupante; no meio-campo, dois volantes sem intensidade na marcação, praticando o famoso “cerca Lourenço”, tão comum em equipes de veteranos: acompanham o adversário à distância, mas raramente desarmam.”

A estreia brasileira não foi das melhores, o que dizer de outras, como a da Espanha, tida como uma das favoritas ao título, que empatou sem gols contra Cabo Verde? A Suíça ficou no 1×1 contra o Catar. O mesmo resultado para Bélgica x Egito, Arábia Saudita x Uruguai; a seleção do Paraguai tomou goleada dos Estados Unidos.

Tem muita coisa para acontecer, mas já se tirou todas as conclusões, negativas, sobre a Canarinho.

Segundo o articulista, “o futebol contemporâneo, cada vez mais complexo, exige organização coletiva, compactação entre os setores e intensidade durante os noventa minutos. Nesse aspecto, a seleção de Marrocos apresentou todos os requisitos de uma equipe que atua junta há mais tempo e que traz na bagagem a experiência e a confiança de quem terminou a Copa de 2022 na quarta colocação.”

É exatamente o contrário, o futebol está cada vez mais simples, previsível e chato por conta do predomínio europeu. Telê Santana, o técnico multicampeão, já dizia na década de 1990 que o futebol tinha se resumido a atletismo e fundamentos. Sustentava que treinando isso, qualquer um poderia jogar futebol.

A abordagem é muito diferente da formação dos jogadores na várzea, onde a irregularidade do terreno exigia criatividade e domínio de bola. Atualmente, temos a proliferação das escolinhas, onde os treinadores ficam o tempo todo gritando para a garotada passar a bola, o que tem matado o drible e as jogadas individuais.

A estreia

No começo do jogo, o Brasil demorou para pegar o ritmo, mas depois que tomou o gol, equilibrou a partida e impôs o jogo, e esteve muito perto de ter virado. O empate, de certo modo, foi um bom resultado.

A equipe do Marrocos, que deu muito trabalho para a Espanha na última Copa, teve uma atuação bastante defensiva, com vários momentos em que o time estava quase todo atrás da linha do meio-campo.

Houve boas jogadas, ainda que se diga que “a seleção brasileira, por sua vez, parece depender excessivamente de lampejos individuais. Quando esses jogadores são bem marcados e inseridos em um contexto coletivo pouco funcional, o talento isolado deixa de fazer diferença.”

Rosa não deve ter visto a partida, pois não dá para dizer que “corremos o risco — e um risco real — de assistir a um fiasco histórico.” Muito menos se pode afirmar, a não ser que seja apenas para torcer contra, se afirmar que “o Brasil terá dificuldades diante da Escócia e do Haiti porque, neste momento, não parece ter um time.”

Enquanto o clima estava eletrizante nas ruas logo antes da partida, pois o povo gosta de futebol, a esquerda pequeno-burguesa vem com essa de que “chegamos à Copa com um catado de jogadores, sem identidade, sem repertório tático e incluindo um ex-jogador em atividade que herdou a camisa 10, símbolo máximo da criatividade e da liderança técnica do futebol brasileiro.”

A Seleção foi sistematicamente boicotada, bombardeada. Os técnicos eram todos perseguidos e não puderam trabalhar em paz, sempre com uma possível demissão rondando, além da campanha insesante na grande imprensa por um técnico estrangeiro.

Com todo esse clima turbulento e perseguição, como se pode montar um time? E que história é essa de “ex-jogador em atividade que herdou a camisa 10”? Infelizmente, tem gente escrevendo na imprensa alternativa que copia integralmente aquilo que se fala na grande imprensa pró-imperialista, e a vergonhosa perserguição a Neymar, seguramente o melhor jogador do mundo dos últimos anos e um dos maiores que o Brasil já produziu.

Os negócios

Nunca pode faltar a crítica ao fato de que a CBF “transformou-se em uma agência de negócios em torno do futebol, incapaz de estruturar um plano consistente de formação de treinadores, de integração entre categorias de base e seleção principal e de definição de uma filosofia de jogo.” Ocorre que isso é assim no mundo todo. O futebol é o esporte mais assistido em todo o planeta, vivemos em um mundo capitalista, é natural que isso tenha se tornando um grande balcão de negócios e para prejuízo do futebol-arte.

E, como a grama do vizinho é sempre mais verde, Rosa diz que “enquanto isso, a Argentina exporta técnicos para diversas seleções do mundo e investe na qualificação de seus profissionais. O Brasil, ao contrário, abandonou a reflexão sobre o jogo, desprezou a formação e passou a viver da ilusão de que o talento individual surgirá espontaneamente para resolver problemas estruturais.”

A pergunta que fica é: qual país ganhou mais Copas? O Brasil, com técnicos brasileiros, e só não ganhou mais porque foi literalmente roubado.

Apartado da realidade, o articulista diz que “já não formamos jogadores como antes. Não formamos treinadores. Não formamos uma ideia de futebol. O país que transformou o futebol em parte de sua identidade nacional parece ter chegado ao ápice de sua decadência esportiva.”

Talvez Rosa não saiba que somos o celeiro mundial de futebol. Na final de da Champions League de 2022, por exemplo, quando o Real Madri venceu o Liverpool, 8 oito jogadores eram brasileiros: Vinicius Júnior (que fez o gol do título), Éder Militão, Casemiro, Rodrygo e Marcelo, do lado Real Madri. Pelo Liverpool, o goleiro Alisson, Roberto Firmino e Fabinho.

A final da Champions chegou a ter 6 jogadores brasileiros em campo; mas, ainda assim, há quem acredite não somos mais o país do futebol.

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