África

Rússia envia apoio médico para contenção do Ebola em Uganda

A ajuda busca ampliar a vigilância sanitária, a capacidade de diagnóstico, o tratamento e a resposta a surtos

Especialistas médicos russos reforçaram ações contra o Ebola em Uganda, na segunda-feira (15), em cooperação com profissionais de saúde ugandenses. A ajuda busca ampliar a vigilância sanitária, a capacidade de diagnóstico, o tratamento e a resposta a surtos. A medida ocorre diante do risco de transmissão a partir da República Democrática do Congo, onde há um surto em andamento.

Muitos casos suspeitos em Uganda foram ligados à circulação de pessoas vindas da República Democrática do Congo, inclusive por rotas não oficiais de fronteira. O risco é maior em distritos próximos ao país vizinho, onde autoridades intensificaram o monitoramento e medidas de controle de doenças. Uganda reforçou a vigilância em postos de fronteira e trabalhou com autoridades congolesas para criar estruturas emergenciais de saúde.

As medidas preventivas incluem lavagem obrigatória das mãos, aferição de temperatura, uso de máscaras e campanhas de conscientização pública. O objetivo é identificar casos suspeitos, isolar possíveis infectados e reduzir o risco de transmissão em comunidades de fronteira.

A cooperação com a Rússia inclui também diagnóstico laboratorial. A agência russa de vigilância sanitária, Rospotrebnadzor, anunciou que cientistas russos e ugandenses desenvolvem um teste para detectar anticorpos contra a cepa Bundibugyo do Ebola. Testes de reação em cadeia da polimerase (PCR) fabricados na Rússia também foram enviados a Uganda e à República Democrática do Congo.

Em 2024, a Rússia transferiu a Uganda um laboratório móvel antiepidêmico, capaz de realizar diagnóstico rápido de doenças infecciosas perigosas. Essa estrutura já foi usada em 2025 para ajudar a conter um surto anterior de Ebola. A presença de especialistas russos agora amplia o uso dessa cooperação em um momento de risco regional.

A República Democrática do Congo declarou surto de Ebola em 15 de maio, o 17º registrado no país desde a identificação do vírus, em 1976. A cepa Bundibugyo despertou preocupação por causa da possibilidade de transmissão transfronteiriça. Em atualização de 10 de junho, os Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças registraram 19 casos confirmados em Uganda ligados ao surto atual, com duas mortes e quatro recuperados. Na República Democrática do Congo, a situação é mais grave, com 782 casos e 181 mortes registrados nacionalmente.

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