Na semana passada, esteve no Brasil um importante intelectual judeu norte-americano, Norman Finkelstein, para o relançamento de seu livro A indústria do Holocausto, no qual demonstra que o sionismo tem utilizado de maneira sistemática a questão do Holocausto para tentar reprimir as críticas aos crimes do Estado Sionista.
Como era muito difícil ignorar sua presença no País, a Folha de São Paulo entrevistou Finkelstein. Naturalmente, foi a típica entrevista-armadilha, pois tratou logo de elaborar uma resposta contra o escritor.
O que Finkelstein falou, e qualquer pessoa normal deveria atestar, é que os crimes do Estado de “Israel” cometidos em Gaza, estão fazendo com que o mundo volte a odiar os judeus.
Tal declaração fez com que merecesse uma resposta de Fernando Lottenberg, que já foi presidente da Conib (Confederação Israelita do Brasil) e que está processando Rui Costa Pimenta, presidente do Partido da Causa Operária, e Henrique Áreas, dirigente do PCO, por falarem exatamente as mesmas coisas que Norman Finkelstein fala.
Lottenberg, no entanto, não teve coragem de mandar a polícia atrás do norte-americano, uma vez que este se encotrava em solo brasileiro, pois sabia que o escândalo seria muito grande.
A direita que gosta de perseguir pessoas até no exterior por expressarem suas opiniões, não se encoraja de fazer isso contra um cidadão norte-americano.
O título da resposta, publicado pela Folha na quarta-feira (10), Norman Finkelstein erra o alvo e ecoa velhos estereótipos antissemitas, é curioso, pois, no caso de Rui Costa Pimenta, e outros brasileiros, é crime, enquanto Finkelstein… erra.
Essa linguagem, que usa o termo “estereótipos”, é tipicamente sionista, sempre evocando as caricaturas que os nazistas faziam dos judeus. Ou seja, determinada concepção seria “estereotipada”, e não algo que surge da realidade. Seria uma falsificação da figura dos judeus. Qualquer opinião que não os agrade é logo tachada de “estereótipo”, uma maneira de desclassificar um argumento sem ter que contra-argumentar.
Analisando o que diz Norman Finkelstein, fica claro que ele não está ecoando estereótipos de nada, a matéria é um show de cinismo.
Lottenberg diz que “A linguagem empregada por Norman Finkelstein, no sentido de que críticas a Israel seriam instrumentalmente silenciadas por organizações poderosas e por interesses financeiros, ligados ao establishment judaico norte-americano, ecoa velhos estereótipos antissemitas sobre influência oculta, poder financeiro e manipulação política, temas centrais do antissemitismo europeu, dos séculos 19 e 20.”
Ou seja, o problema não está em que os sionistas processam todo mundo, censuram as pessoas e as redes sociais, ou que na grande imprensa apareçam apenas as posições dos sionistas. Isso não passaria de imaginação, “estereótipos”.
Esse é um recurso utilizado para intimidar as pessoas menos preparadas que passam a considerar se não seriam mesmo preconceituosas.
As organizações poderosas existem, os interesses financeiros, o establishment judaico norte-americano, são de conhecimento público, são coisas reais que estão longe de poderem ser consideradas estereótipos.
Os judeus, neste momento histórico, não são um povo perseguido, apesar de que existem indivíduos que por algum motivo não gostam de judeus. Os sionistas, entretanto, fazem parte do seleto grupo dos poderosos.
O Ministério Público no Brasil abriu vários tipos de processo contra o PCO porque o sionismo tem de fato uma “influência oculta” – nem tão oculta, na verdade.
Os sionistas que defendem o Estado de “Israel” estão até dentro do PT, estão em toda parte. Essa utilização do “estereótipo” é típica propaganda.
Adiante, Lottenberg diz que “O ódio aos judeus não decorre do sofrimento que a guerra, como as guerras em geral, impõe às populações civis. Críticas a políticas governamentais são legítimas e devem ser feitas”, com exceção do que está disposto no Projeto de Tabata Amaral (PSB-SP) que proíbe as críticas ao Estado de “Israel” equiparando-as ao antissemitismo e ao racismo.
Os dirigentes do PCO estão sendo processados por terem dito que o Estado de “Israel” não deveria existir, o que é uma crítica política. O que escreve Lottenberg, nesse sentido, é pura hipocrisia. E é uma grande farsa sua afirmação de que “a oposição e a imprensa israelenses são os melhores exemplos disso [do direito à crítica]”. A imprensa “israelense”, até a mais liberal, apoia sem pudor os crimes cometidos contra os palestinos.
Embora reclame da linguagem de Finkelstein, Lottenberg diz que há um “hiperfoco no Oriente Médio, ignorando vítimas de outras regiões em conflito”. Não é hiperfoco, mataram oficialmente 73 mil pessoas, 30 mil crianças e mulheres. Não há necessidade de “foco” para perceber essa brutalidade. Em qual outro país as crianças estão sendo bombardeadas diariamente?
Lottenberg diz que se “demonstra claramente a seletivida de Finkelstein”, o que não passa de insinuação; e diz ainda que o escritor “se alinha com ditadores e autocratas em outras guerras e na repressão à população civil.”
De qual guerra está falando, da guerra de agressão dos Estados Unidos e “Israel” contra o Irã? Ou a guerra dos sionistas contra os libaneses, bombardeando Beirute?
Lottenberg está insinuando que Finkelstein estaria apoiando o Irã nesse conflito, o que seria lógico, qualquer pessoa com o mínimo sentimento democrático defenderia os iranianos.
Outra falsificação de Lottenberg é dizer que “a resposta de Israel ao Hamas e ao eixo liderado pelos aiatolás se deu em sequência a uma agressão que incluiu assassinatos, estupros e sequestros de centenas de civis, incluindo mulheres, idosos e crianças, crimes contra a humanidade que estão sendo investigados em tribunais internacionais.” A reação é uma continuação da política genocida e criminosa contra os palestinos que vem acontecendo há mais de 70 anos.
Adiante, diz que “a comparação de Gaza com o Gueto de Varsóvia não se sustenta. Este foi imposto pelos nazistas a civis judeus desarmados”, mas é justamente quem está morrendo na Palestina.
Segundo argumenta, “Gaza é um território do qual Israel se retirou há mais de 20 anos”, mas omite que a Faixa foi cercada e colocaram um muro, transformando o local em uma prisão, a maior prisão a céu aberto do mundo.
É muito cinismo alegar que “tentar imputar a Israel o papel de agressor no atual conflito pode dar aos antissemitas uma vantagem imediata”, pois “Israel” é o agressor. É uma potência ocupante, portanto o agressor.
Tentar colocar na posição de agressor os palestinos, que têm suas terras sistematicamente invadidas pelos sionistas, 15 mil de seus cidadão estão nas cadeias “israelenses”, porque neste momento agrediram o invasor, é totalmente absurdo.
Lottenberg diz que não há genocídio, mas correm informações de que governo “israelense” matou 20% da população de Gaza. Se isso não for um genocídio; então, nunca houve um genocídio na história da humanidade.
“Não foi a guerra que fez crescer o antissemitismo e o ódio aos judeus”, escreve o articulista. O problema é que foi exatamente isso.
O mundo inteiro está denunciando o genocídio, são milhões de pessoas de todos os países postando diariamente nas redes. São os sionistas que têm um ponto de vista racista. O que só pode estimular o ódio aos judeus. Assim como, logo após a II Guerra Mundial, os alemães foram confundidos com o nazismo.
Stálin, quando ocupou a Alemanha, decretou a palavra de ordem de que o povo alemão era culpado pelo nazismo.
Quem alega que a crítica ao sionismo é o mesmo que antissemitismo, atribui aos judeus os crimes praticados pelos sionistas contra os palestinos.
Em outro trecho, Lottenberg diz que “Os fatos atuais revelam que o vírus do antissemitismo esteve apenas hibernando, esperando um ambiente propício para voltar a eclodir”, mas não explica de onde vem todo esse antissemitismo, e porque o “vírus” está se manifestando neste momento, já que a causa não é a guerra.
Para Lottenberg o antissemitismo seria uma espécie de doença social. Diz que judeus foram vítimas de esfaqueamentos e assassinatos, enquanto os palestinos tiveram suas crianças assassinadas e mutiladas por bombas. O que mostra a completa disparidade de forças, quem é o agressor, e quem está ganhando ou perdendo.





