Oriente Próximo

Irã força acordo com EUA e fim do bloqueio naval

Entendimento mediado pelo Paquistão prevê encerramento das operações militares, inclusive no Líbano, e reabertura do Estreito de Ormuz

O governo do Paquistão saudou o memorando de entendimento firmado entre a República Islâmica do Irã e os Estados Unidos, apresentado como um acordo para encerrar a guerra e suspender imediatamente o bloqueio naval imposto pelos norte-americanos contra a República Islâmica. A assinatura formal do documento está prevista para sexta-feira, 19 de junho, na Suíça.

O ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Mohammad Ishaq Dar, afirmou que o entendimento representa uma conquista diplomática importante e destacou a atuação de Islamabad nas negociações. Segundo ele, o Paquistão permaneceu em contato com todas as partes envolvidas, defendendo contenção e negociação diante da ameaça de uma ampliação da guerra.

Dar também agradeceu ao Irã e aos Estados Unidos pela confiança depositada no Paquistão como mediador e citou o papel da Arábia Saudita, do Catar, da Turquia, do Egito e da Organização das Nações Unidas (ONU) nas tratativas. O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, afirmou que houve “importante progresso” nos temas ligados ao Líbano e que os próximos dias serão dedicados a reuniões técnicas antes da assinatura.

De acordo com o Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, o memorando foi finalizado em 14 de junho e estabelece a cessação imediata e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano. O documento também prevê a retirada do bloqueio naval contra o Irã e a reabertura gradual do Estreito de Ormuz sob os termos definidos pela República Islâmica.

O presidente norte-americano Donald Trump anunciou em sua rede Truth Social que o acordo com o Irã estava concluído. “O acordo com a República Islâmica do Irã está completo. Parabéns a todos!”, escreveu. Trump disse ainda que autorizou a abertura do Estreito de Ormuz “sem pedágio” e a remoção imediata do bloqueio naval norte-americano. “Navios do mundo, liguem seus motores. Deixem o petróleo fluir!”, publicou.

A declaração confirma um recuo dos Estados Unidos diante da capacidade de resistência do Irã e de seus aliados regionais. O bloqueio naval e a ameaça contra Ormuz eram instrumentos centrais da pressão imperialista contra o Irã, com consequências diretas para o comércio mundial de petróleo e para os países dependentes da importação de energia.

A televisão estatal iraniana IRIB afirmou que os Estados Unidos foram obrigados a aceitar o fim da guerra devido à resistência do povo iraniano e de suas Forças Armadas. Segundo a emissora, a firmeza do Irã diante dos ataques norte-americanos e das agressões de “Israel” impôs uma derrota política ao inimigo.

O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, declarou que a força militar iraniana e a prontidão para responder a novas provocações tiveram papel decisivo no avanço das negociações. Ele afirmou que as ameaças feitas pelo Irã contribuíram para destravar pontos importantes do texto e que os acontecimentos no Líbano também pesaram no resultado.

Gharibabadi destacou que a próxima fase das negociações deve durar até 60 dias. Nesse período, estarão em discussão o levantamento das sanções impostas contra o Irã, incluindo sanções primárias e secundárias dos Estados Unidos, resoluções do Conselho de Segurança da ONU e decisões da Agência Internacional de Energia Atômica. O arquivo nuclear iraniano também será tratado nessa segunda etapa.

O acordo abre ainda negociações sobre reconstrução, desenvolvimento econômico e mecanismos de verificação do cumprimento dos compromissos assumidos pelas partes.

Um dos pontos mais importantes do memorando é a inclusão do Líbano no compromisso de encerramento das operações militares. A questão demonstra que a guerra contra o Irã não está separada das agressões de “Israel” contra os povos da região. A resistência libanesa, em especial o Hesbolá, teve papel central no desgaste da ofensiva sionista e na pressão sobre os norte-americanos.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, também manteve contato com o chanceler saudita Faisal bin Farhan para discutir os desdobramentos do memorando. Araghchi destacou a responsabilidade dos Estados Unidos em garantir a implementação dos termos do acordo e impedir novos ataques de “Israel” contra o Líbano.

A posição iraniana é que qualquer violação em uma frente corresponde a uma violação do entendimento como um todo. Dessa forma, busca impedir que os Estados Unidos assinem o acordo enquanto permitem que “Israel” continue atacando o Líbano ou outros setores do Eixo da Resistência.

O Comando Central Selo dos Profetas afirmou que o povo iraniano, as Forças Armadas e a Frente da Resistência demonstraram unidade diante da agressão imperialista. Para o comando, o resultado das negociações comprova que o inimigo não tinha outra alternativa senão aceitar a derrota.

A conclusão do memorando ocorre após uma série de derrotas militares e políticas sofridas pelos Estados Unidos e por “Israel” na região. O Irã manteve o controle sobre o Estreito de Ormuz, respondeu às provocações militares e mostrou capacidade de atingir bases norte-americanas na região.

O acordo, portanto, não expressa uma concessão espontânea dos Estados Unidos, mas o resultado da pressão exercida pelo Irã e pelo Eixo da Resistência. Ao aceitar o fim do bloqueio naval e o encerramento das operações militares, o imperialismo reconhece, ainda que de maneira limitada, que não conseguiu impor pela força suas exigências contra a República Islâmica.

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