América Latina

Camponeses reforçam bloqueios na Bolívia

A mobilização se somou a atos de outros grupos vindos do trópico de Cochabamba e ocorreu em meio à manutenção de cerca de 90 pontos de bloqueio em seis departamentos

Camponeses de Chayanta chegaram a La Paz para reforçar bloqueios na Bolívia, na terça-feira (9). A mobilização se somou a atos de outros grupos vindos do trópico de Cochabamba e ocorreu em meio à manutenção de cerca de 90 pontos de bloqueio em seis departamentos, com tensão crescente, desabastecimento e prisões de dirigentes sociais.

Os bloqueios seguem em La Paz, Oruro, Cochabamba, Santa Cruz, Potosí e Chuquisaca. A Administradora Boliviana de Carreteras (ABC) informou que Cochabamba concentrava 27 pontos bloqueados, seguida por La Paz, com 21; Oruro, com 18; Potosí, com 15; Chuquisaca, com 10; e Santa Cruz, com dois. As vias cortadas afetam o transporte de passageiros, a circulação de mercadorias e a ligação com regiões do interior e com a fronteira peruana.

A chegada dos camponeses de Chayanta foi apresentada como reforço às medidas de pressão contra o presidente Rodrigo Paz. O conflito se agravou depois que o presidente chamou os mobilizados de narcoterroristas e promulgou a Lei de Regulação do Estado de Exceção. As organizações sociais acusam o governo de responder às mobilizações com repressão, prisões e acusações graves contra dirigentes de diferentes setores.

Cerca de 20 dirigentes foram detidos por ações da Polícia e do Ministério Público sob acusações que incluem terrorismo. Organizações sociais denunciaram torturas e agressões. Também circulou vídeo em que policiais aparecem atacando pessoas deitadas no chão, identificadas por essas organizações como dirigentes da Central Operária Boliviana (COB) e de outros setores. A violência policial reforçou a disposição dos manifestantes de manter e ampliar os bloqueios.

O efeito econômico das paralisações já aparece nos centros urbanos. Em La Paz e outras cidades, moradores relatam falta de produtos básicos e aumento de preços de alimentos em até 50%. Milhares de viajantes permanecem retidos, e setores produtivos informam prejuízos diretos com a interrupção de rotas. A pressão sobre o abastecimento aumenta a tensão social e coloca o governo diante de uma crise de circulação e de legitimidade.

A mobilização dos camponeses de Chayanta amplia a base social dos protestos e reforça a presença de setores rurais na capital. Ao chegar a La Paz, os camponeses indicam que o conflito não se limita a bloqueios locais, mas busca atingir o centro político do país, partindo inclusive do interior mais rural. A continuidade dos bloqueios, somada às prisões e à falta de negociação efetiva, aponta para uma crise que tende a se aprofundar caso o governo mantenha a resposta repressiva.

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