Brasil

Manifesto de descendentes de libaneses pede ruptura com ‘Israel’

Manifesto busca angariar apoio à resistência contra o genocídio promovido pelo Estado sionista na Palestina e no Líbano

Descendentes de libaneses no Brasil divulgaram, em maio de 2026, um manifesto contra a agressão de “Israel” e dos Estados Unidos ao Líbano e à Palestina. O texto denuncia a ocupação ilegal, o genocídio e a limpeza étnica praticados pelo sionismo, afirma que a existência do Líbano como nação está ameaçada e cobra uma posição mais enérgica do governo brasileiro.

O manifesto foi assinado por descendentes de libaneses, professores universitários e profissionais de diferentes áreas. O documento afirma repúdio à ocupação ilegal, ao genocídio e à limpeza étnica praticados por “Israel” e pelos Estados Unidos contra o Líbano e a Palestina. Também cobra do governo brasileiro uma posição clara contra as atrocidades denunciadas.

“Muitos de nós, descendentes de libaneses, temos militado nos espaços de resistência às agressões de Israel à Palestina e ao Líbano. Vimos, entretanto, a necessidade de nos manifestar como grupo étnico, de modo a romper o silêncio quanto à nossa presença expressiva na sociedade brasileira, que deve ser ponderada na tomada de posição do Brasil diante do genocídio e da limpeza étnica do Líbano e da Palestina cometidos por Israel, bem como do antiarabismo e do supremacismo racial que os precedem e sustentam. Disto resulta este manifesto, que segue aberto à adesão de descendentes de libaneses”, afirmou Nádia Farage, uma das organizadoras do manifesto, ao Diário Causa Operária (DCO).

O texto lembra que as primeiras levas migratórias de libaneses para o Brasil ocorreram desde as últimas décadas do século XIX. Muitos eram cristãos maronitas que fugiam de perseguições religiosas. Depois vieram drusos, sunitas e xiitas. No Brasil, essas comunidades encontraram liberdade religiosa e passaram por forte assimilação e casamentos com outros setores da população.

Apesar de o Brasil abrigar uma comunidade de descendentes de libaneses maior que a população do próprio Líbano, o manifesto afirma que esse processo histórico resultou em dispersão e pouca presença política organizada. A situação ocorre, segundo os signatários, em um momento de crescimento do racismo contra árabes, da perseguição contra muçulmanos e do supremacismo racial.

O manifesto busca angariar apoio à resistência contra o genocídio promovido pelo Estado sionista na Palestina e no Líbano. Os signatários afirmam estar ao lado dos democratas no Brasil na luta contra os ataques promovidos pelo Estado de “Israel”, com apoio de grande parte dos países imperialistas.

O documento pede que o governo federal adote uma posição mais enérgica no cenário internacional em defesa do Líbano e da Palestina. A cobrança se baseia no peso demográfico e político dos cerca de oito milhões de descendentes de libaneses no Brasil. O manifesto, nesse sentido, exige uma mudança concreta de política, incluindo a ruptura com “Israel” diante dos crimes denunciados.

Para assinar o manifesto, basta enviar nome completo e profissão/atividade econômica para o e-mail [email protected]. Confira, abaixo, as assinaturas registradas até o momento:

  • Adibo Michael Ganan Jr, tradutor público
  • Ali El-Khatib, sociólogo
  • Álvaro Kassab, jornalista
  • Ana Karine Jansen de Amorim, atriz e arte-educadora
  • Aníbal José Pacha Correia, ator e arte-educador
  • Armando Boito Jr, cientista político
  • Beatriz Perrone-Moisés, antropóloga
  • Bruno Fonseca, dentista
  • Carmen Hannud Carballeda Adsuara, psicóloga e educadora popular
  • Christiane Neme Campos, cientista da computação
  • Cláudia Perrone-Moisés, jurista
  • Daniela Auad, pedagoga
  • Daniela Haj Mussi, cientista política
  • Diego Daibert Salomão de Campos, médico
  • Emílio Kalil, gestor cultural
  • Erika de Souza Morhy, jornalista
  • Flávia Farage, procuradora MPDFT
  • Flávio Tosi Feijó, professor
  • Gabriel Cambraia Neiva, crítico literário
  • Germana Nacif Fonseca, psicóloga
  • Guilherme Mansur Dias, antropólogo
  • Gustavo Tadeu Alkmim, magistrado e escritor
  • Iano Salomão de Campos Jr., ator
  • Irie Salomão de Campos, artista plástico
  • Ivan Cavalcanti Proença, crítico literário
  • Ivan Mitre Pinheiro, engenheiro
  • Jeferson Fued Nacif, servidor público federal
  • João Marcos Werneck Farage, advogado
  • Jorge Eduardo Sedeh Boito, fonoaudiólogo
  • José Guilherme Chaui-Berlinck, médico
  • Juan de Oliveira Salomão de Campos, diretor de marketing
  • Jude Bauab Levai, antropólogo
  • Larissa Nacif, especialista em políticas públicas
  • Leon de Oliveira Salomão de Campos, advogado
  • Luís Alberto Nacif Campos, artista
  • Manira Fued Nacif, professora aposentada
  • Marcela Nacif Fonseca, analista técnica Poder Judiciário
  • Mariana Faiad, antropóloga
  • Maridete Daibes, atriz e arte-educadora
  • Marilena de Souza Chaui, filósofa
  • Marlene Mitre Pinheiro, professora aposentada
  • Matilde Carone Slaibi Conti, advogada
  • Misa Boito, militante do Partido dos Trabalhadores
  • Myriam Betania Nacif Campos, artista
  • Munir Nacif Mitre, fiscal fazendário aposentado
  • Nádia Farage, antropóloga
  • Natália Helou Fazzioni, antropóloga
  • Nelson Sanjad, historiador
  • Nêmer Martins Alves Salomão de Campos, criador de conteúdo digital
  • Nizar El-Khatib, autônomo aposentado
  • Olgária Chain Féres Matos, filósofa
  • Patrícia Rachid Nacif, psicóloga
  • Rafael Crivellari Saliba Schouery, cientista da computação
  • Ricardo Dahab, cientista da computação
  • Roberto Abdala Jr, historiador
  • Rodrigo Charafeddine Bulamah, antropólogo
  • Rogério Lopes Azize, antropólogo
  • Rovena Nacif Porto, fiscal de controle urbanístico e ambiental
  • Saada Zouhair Daou, advogada
  • Sidney Chalhoub, historiador
  • Sílvia Dabdab Calache Distler, assistente social
  • Solange Alves Nacif Marçal, professora
  • Suely Nacif Campos, professora aposentada
  • Tales Ab’Saber, psicanalista
  • Tâmara Bauab Levai, bióloga
  • Thiago Assad, jornalista
  • Yuri Daibert Salomão de Campos, oficial cartorário
  • Yussef Daibert Salomão de Campos, historiador

Abaixo, você confere o texto do manifesto na íntegra:

Descendentes de libaneses repudiam a agressão israelense ao país de seus antepassados

A existência do Líbano como nação está em perigo!

Descendentes de libaneses no Brasil, professores universitários e outros profissionais, vimos manifestar nosso repúdio à ocupação ilegal, ao genocídio e à limpeza étnica praticados por Israel e pelos Estados Unidos contra o Líbano e a Palestina, bem como solicitar posição clara do governo brasileiro contra tais atrocidades.

As primeiras levas migratórias de libaneses para o Brasil, que ocorreram desde as últimas décadas do século XIX, foram constituídas por cristãos maronitas que, sobretudo, fugiam de perseguições religiosas; seguiram-se levas de drusos, sunitas e xiitas. Havendo encontrado no Brasil a liberdade religiosa que buscavam, os libaneses, à diferença de outros grupos étnicos, optaram por uma política de assimilação e inter-casamentos. Apesar de constituirmos a comunidade mais populosa da diáspora libanesa —superando, em número, a população no Líbano —, resultam deste processo histórico relativas dispersão e invisibilização dos libaneses no Brasil, logo quando assistimos ao crescimento e à instrumentalização atuais do antiarabismo, da islamofobia e do supremacismo racial.

A agressão em curso contra o Líbano e a Palestina é, para todos nós, motivo de grande consternação e revolta. Julgamos, assim, necessário somar nossas vozes e vir a público para afirmar nossa presença, ao lado dos democratas no Brasil, na resistência e luta contra as recentes tentativas de aniquilação do Líbano e da Palestina cometidas pelo Estado de Israel, com o apoio de grande parte dos países do norte. Instamos o Governo Federal à tomada de posição mais enérgica no cenário internacional em defesa do Líbano e da Palestina, de modo a fazer jus ao significativo peso demográfico e político dos cerca de oito milhões de descendentes de libaneses no Brasil.

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