Ricardo Machado

É dirigente do Sindicato dos Bancários de Brasília e ex-dirigente da CUT-DF. Integra a Coordenação dos Comitês de Luta do DF e Membro do Partido da Causa Operária (PCO)

Coluna

A teoria do choque na população e nos trabalhadores de Brasília

Seguindo a cartilha neoliberal da Escola de Chicago, se utilizam da "teoria do choque" e exploram crises e desastres para impor políticas radicais de "livre Mercado"

Não é de hoje que o Banco de Brasília (BRB) vem sendo sistematicamente atacado pelos diversos governos neoliberais que se sucedem no Palácio do Buriti. Ao longo dos anos, a política das direções do banco tem sido o desmonte sistemático da empresa, a redução drástica do número de funcionários, o rebaixamento salarial, o fechamento de agências etc.

No governo José Roberto Arruda (2007-2010), por pouco o BRB não foi incorporado pelo Banco do Brasil, justamente pela política neoliberal daquele governo para evitar um tal “colapso” financeiro do Governo do Distrito Federal. A incorporação não foi efetivada devido aos rombos nas gestões do BRB. Vale lembrar que esse mesmo governador foi afastado e preso devido aos desdobramentos da Operação Caixa de Pandora, na qual foram apresentadas imagens, como provas, em que o ex-governador recebia maços de dinheiro em um esquema de corrupção.

Nessas quase duas décadas, o BRB tem sofrido essa mesma política de tentativas de privatização. A receita é sempre a mesma: desmonte, baixos salários, quadro reduzido de funcionários, terceirização. Ou seja, trata-se do receituário para pavimentar o caminho da entrega do patrimônio do povo aos banqueiros parasitas, tanto nacionais quanto internacionais.

Não é por acaso que a Rede Globo, recentemente, usando como justificativa o escândalo do Banco Master, defendeu a privatização do BRB. Ou seja, uma maracutaia realizada por um representante dos banqueiros e capitalistas no governo e por um capitalista privado, mas quem deve pagar a conta é a população e os trabalhadores.

É claro e notório que o governo Ibaneis, hoje licenciado para concorrer ao Senado, e Celina Leão, ex-vice-governadora e atual governadora, contam com a colaboração de seus representantes, que controlam a Câmara Legislativa do DF, para pôr em prática a política neoliberal. Foi com o apoio desses representantes na CLDF que se aprovou a autorização para que o governo do DF renegocie suas dívidas com o governo federal por meio da venda das empresas estatais. No caso do Banco Master, nem se fala: esses mesmos representantes, num piscar de olhos, aprovaram a compra dos ativos do sr. Vorcaro.

Agora, seguindo a cartilha neoliberal da Escola de Chicago, de economistas como Milton Friedman, que se utilizam da “teoria do choque”, explorando crises e desastres para impor políticas radicais de “livre mercado”, o GDF, conjuntamente com a União, em acordo mediado pelo STF, fechou um acordo para a realização de um empréstimo junto ao FGC (Fundo Garantidor de Créditos), isto é, os banqueiros, no valor de R$ 6,5 bilhões. A garantia, no caso de calote, serão dois fundos do GDF: o Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e o Fundo de Participação dos Estados (FPE).

Para que essa transação se realize, a governadora do DF já anunciou regras severas de ajuste fiscal, homologadas pelo STF, com corte nos gastos públicos, congelamento de despesas com pessoal, suspensão de concursos públicos, reajustes salariais e reestruturação nas carreiras dos servidores públicos — isto é, demissões — e, logicamente, privatizações. Aliás, no caso do BRB, a privatização não está descartada, já que, se o processo não der certo, a única alternativa para os capitalistas e seus governos será a entrega do banco público aos abutres privados.

Ou seja, para o tal “salvamento” do BRB serão usados os pilares fundamentais do neoliberalismo da cartilha da Escola de Chicago: privatizações, desregulamentação e ajuste fiscal.

Em todo esse processo, costurado pelas instituições do Estado, os prejudicados são os trabalhadores e toda a população do Distrito Federal, que terão de arcar com um prejuízo gigantesco, enquanto os verdadeiros culpados são eximidos da responsabilidade por aquele que é o maior escândalo financeiro da história do País.

* A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião deste Diário

Gostou do artigo? Faça uma doação!

Rolar para cima

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Quero saber mais antes de contribuir

 

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.