O encerramento do XII Congresso Nacional do Partido da Causa Operária, neste domingo (7) demonstrou que, mesmo diante da perseguição política, da censura, dos ataques judiciais e da pressão geral do regime, um partido operário pode resistir, se fortalecer e organizar uma intervenção política independente.
O Congresso Natália Pimenta chegou ao seu final com a votação das resoluções políticas e organizativas discutidas pelos delegados ao longo de todo o encontro. Nos pontos destacados, houve direito ao contraditório, permitindo que as divergências fossem expostas diante de todo o Congresso.
Esse método tem um significado político importante. Em uma época em que a política burguesa se resume a acordos de cúpula, manobras parlamentares e decisões tomadas à revelia da militância, o Congresso do PCO reafirmou a necessidade de uma organização baseada na discussão política, na deliberação coletiva e na disciplina consciente. O centralismo democrático do PCO se opõe frontalmente ao golpe da direção do Democracia Cristã contra a pré-candidatura de Aldo Rebelo, ao apoio de um senador do Partido dos Trabalhadores (PT) àqueles que perseguem os defensores da Palestina, incluindo correligionários, e à total falta de programa dos partidos da esquerda pequeno-burguesa que se dizem “revolucionários”, mas se revelaram uma correia de transmissão da ditadura do STF.
A eleição do novo Comitê Central Nacional, órgão dirigente do Partido, coroou esse processo. Ela expressa a continuidade de uma organização que não depende de improvisações eleitorais, de mandatos parlamentares, de verbas públicas ou de acordos com setores do grande capital. O Partido sai do Congresso com uma direção eleita, resoluções aprovadas e uma orientação definida diante da crise nacional e internacional.
O PCO atravessou um dos períodos mais difíceis de sua história recente e chegou ao XII Congresso não apenas de pé, mas em crescimento. Entre o XI e o XII Congresso, o Partido enfrentou processos judiciais movidos por organizações sionistas, censura nas redes sociais por determinação do Supremo Tribunal Federal e uma campanha permanente de perseguição política. Mesmo assim, ampliou sua militância, sua atuação pública, sua imprensa e sua capacidade de intervenção.
O balanço apresentado pela Direção mostrou um crescimento superior a 50% no número de filiados oficiais. Mostrou também o fortalecimento das campanhas financeiras, da venda de materiais impressos, dos cursos, da imprensa partidária, da Causa Operária TV e dos coletivos de atuação entre mulheres, juventude, trabalhadores e índios.
A crítica à esquerda pequeno-burguesa foi um dos pontos decisivos do Congresso. Não há saída para a classe operária por meio da adaptação ao regime, da confiança no Judiciário, da defesa da censura ou da ilusão de que o Estado burguês possa ser utilizado como árbitro neutro contra a extrema direita. A experiência dos últimos anos mostrou exatamente o contrário: os instrumentos apresentados como defesa da “democracia” acabam voltados contra a própria esquerda, contra os trabalhadores e contra as organizações que enfrentam o imperialismo.
A crise mundial do imperialismo, a ofensiva contra os povos oprimidos, a perseguição aos defensores da Palestina e a escalada da censura nos países centrais colocam todas as organizações políticas diante de uma definição. Não é possível ser de esquerda e ficar neutro diante da agressão imperialista. A defesa da Palestina, do Irã, da Venezuela, de Cuba e dos povos atacados pelas potências imperialistas é uma linha divisória fundamental.
O XII Congresso Nacional do PCO encerrou-se, assim, como uma vitória da organização operária. A vitória de um partido que, diante da pressão do regime, da direita, do imperialismo e da censura, reafirma a necessidade de uma política independente da classe trabalhadora.





