A eleição presidencial no Peru segue indefinida nesta segunda-feira (8). Com mais de 90% dos votos apurados, a candidata de direita Keiko Fujimori, do Fuerza Popular, aparecia com 50,48% dos votos, contra 49,52% de Roberto Sánchez, do Juntos por el Perú. A diferença era inferior a 200 mil votos, o que impede a proclamação de um vencedor antes do avanço final da apuração.
O segundo turno, realizado no domingo (7), confirmou a profunda divisão do país. Fujimori tem sua principal base em Lima e nos centros urbanos, enquanto Sánchez aparece com mais força nas zonas rurais e no interior, especialmente em setores que ainda reivindicam o legado de Pedro Castillo, presidente deposto por um golpe em 2022. A própria dinâmica da apuração favorece inicialmente os votos urbanos, deixando para a reta final parte importante das regiões rurais.
Keiko Fujimori disputa a Presidência pela quarta vez. Filha de Alberto Fujimori, ex-presidente condenado por violações de direitos humanos, ela centrou sua campanha no discurso de “ordem” e endurecimento contra a criminalidade. Sánchez, congressista e ex-ministro, apresentou-se como representante do Peru interiorano e prometeu medidas como reforma constitucional, maior intervenção do Estado em setores estratégicos e indulto a Pedro Castillo.
O primeiro turno já havia revelado a crise do regime político peruano. A eleição contou com 35 candidatos, e nenhum deles chegou perto de obter maioria. Fujimori passou ao segundo turno com cerca de 17% dos votos, enquanto Sánchez ficou em segundo lugar com pouco mais de 12%, deixando claro que qualquer governo sairá das urnas com uma base social limitada.
O vencedor assumirá em 28 de julho, em um país marcado por sucessivas quedas presidenciais, golpes parlamentares e instabilidade permanente. Nos últimos anos, o Congresso peruano derrubou presidentes em série, e a crise se aprofundou depois da destituição de Castillo, episódio que abriu um período de repressão e mobilizações populares.
Mesmo antes do resultado final, a eleição já aponta para um governo frágil. Quem vencer terá diante de si um Parlamento fragmentado, uma população dividida praticamente ao meio e uma crise social que não será resolvida apenas pela contagem dos votos. O Peru, mais uma vez, chega ao fim de uma eleição sem que o problema central do país esteja resolvido: a luta entre as massas populares, sobretudo do interior, e o regime dominado pela direita, pelo Congresso e pelos setores ligados ao imperialismo.




