O presidente do Instituto Brasil-Palestina (Ibraspal), Ahmed Shehada, afirmou que o apoio irrestrito à resistência palestina é condição obrigatória para qualquer organização que se reivindique anti-imperialista. Em entrevista concedida durante o XII Congresso Nacional do Partido da Causa Operária (PCO) ao Diário Causa Operária (DCO), o dirigente analisou o recrudescimento da perseguição a ativistas no Brasil e rechaçou a equiparação entre a crítica ao Estado de “Israel” e o antissemitismo.
Para Shehada, a centralidade da questão palestina no cenário internacional decorre da função geopolítica de Israel no Oriente Médio.
“Não pode ser verdade um partido que pode ser chamado anti-imperialista sem apoiar a resistência palestina. O mais claro apoio e a solidariedade com a resistência palestina entre os partidos aqui no Brasil foi com o PCO, claro, isso é muito claro”, explicou.
Abordando o aumento de processos judiciais contra defensores da Palestina e a articulação de um lobby pró-Israel no Congresso Nacional brasileiro, o presidente do Ibraspal avaliou que a ofensiva institucional não é um sintoma de hegemonia, mas de fraqueza do projeto sionista.
“Eu não diria que o sionismo ficou mais forte, ele ficou mais frágil. Está ficando cada dia mais frágil. E por isso ele fica mais agressivo”, declarou.
Segundo Shehada, a tática desse grupo é a intimidação política, voltada para reprimir a opinião divergente e blindar as ações militares no Oriente Médio. Ele citou nominalmente figuras políticas e instituições brasileiras que atuam nessa frente judicial e legislativa.
“Eles têm que aterrorizar todas as vozes, as forças que defendem a vida para não criticar opressores que matam crianças. Forças genocidas que ficam blindadas sem críticas. Isso que é o projeto da Tabata Amaral, isso que é a política da Conib [Confederação Israelita do Brasil], que fica perseguindo qualquer pessoa, entidade ou partido que critica o sionismo, que critica Israel. E já vão interpretar, sabendo muito bem que não é, alegando que é uma agressão ou ódio contra o povo judeu. É um absurdo”, apontou.
O dirigente destacou que judeus também integram as fileiras progressistas de oposição a “Israel” e reiterou que o foco das denúncias recai estritamente sobre as violações de direitos humanos e territoriais.
“Ninguém tem nenhum motivo para espalhar ou odiar os judeus por serem judeus. A gente condena atrocidades, genocídios e crimes de Israel e do sionismo que não param. Eles atacam, ocupam a Palestina, exercem genocídios e limpeza étnica, matam crianças deliberadamente, estupram mulheres e homens. Atacam o Irã, atacam o Líbano, e você os critica, e isso vai ficar como algo contra os judeus? É uma mentira absurda. Não vão conseguir intimidar ou calar nossas vozes”, concluiu.



