O presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO), Rui Costa Pimenta, encerrou o ato de abertura do XII Congresso Nacional da organização, na última quinta-feira (4), no Auditório Paraíso, com duras críticas à política de alianças da esquerda brasileira, à atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) e ao financiamento de movimentos sociais por ONGs estrangeiras.
Pimenta justificou o longo hiato entre o XI e o XII Congresso apontando uma série de ofensivas judiciais contra o partido. Segundo o dirigente, o PCO responde atualmente a mais de 12 processos movidos por organizações sionistas devido à defesa da Palestina. Ele também lembrou a inclusão do partido no inquérito das “fake news” pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, que resultou no bloqueio de todas as redes sociais da sigla por um ano.
Para Rui, o PCO precisou “nadar contra a corrente da maioria da esquerda nacional”, que teria capitulado ao se aliar ao grande capital e a instituições burocráticas do Estado sob a justificativa de enfrentar a extrema direita.
“Nós tivemos que enfrentar a política de aliança da esquerda com o grande capital, que nós podemos personificar em entidades como a Rede Globo ou como o STF, em nome de uma suposta luta contra o fascismo. […] O resultado dessa aliança política foi o abuso pelo judiciário em particular, mas com apoio do Executivo do governo Lula, contra uma série de direitos democráticos da população”, afirmou.
O presidente do PCO destacou que o Partido cresceu e aumentou sua influência justamente por ter se mantido fiel ao seu programa trotskista, rejeitando as demandas identitárias financiadas internacionalmente.
“Nós denunciamos a farsa que consiste em levar adiante um pseudo-movimento baseado no financiamento de ONGs estrangeiras e cujo grande objetivo é censurar as pessoas e colocar a gente na cadeia”, declarou.
Pimenta classificou a liberdade de expressão como a pedra angular dos direitos democráticos: “Se você não tem o direito de falar, os outros direitos perdem o significado”.
No campo internacional, Pimenta demarcou a posição do PCO em defesa irrestrita das resistências armadas no Oriente Médio, contrastando-a com o que chamou de “apoio platônico” e “pela metade” do restante da esquerda partidária.
“O que está acontecendo na Palestina não é simplesmente um problema humanitário. Para o PCO, o que está acontecendo na Palestina é uma luta revolucionária do povo palestino dirigida pelo Movimento de Resistência Islâmica, o Hamas. Nós fomos o único partido que declarou em alto e bom som para que todo mundo ouvisse essa verdade óbvia e elementar”, cravou.
Ele estendeu o apoio incondicional à República Islâmica do Irã, afirmando que a esquerda tradicional não compreende a dimensão do conflito e que o imperialismo norte-americano sofre hoje “a maior derrota militar e política desde a Guerra do Vietnã”.
A política externa do governo Lula também foi alvo de críticas, especialmente em relação à recente crise na Bolívia. Rui Pimenta atacou o apoio diplomático do Brasil ao governo boliviano contra as mobilizações populares.
“Quando o povo da Bolívia, os operários bolivianos, os camponeses bolivianos encurralam o governo direitista, bloqueiam as estradas, enfrentam a polícia, enfrentam o exército e exigem a retirada do governo, o governo brasileiro diz que vai prestar ajuda humanitária ao governo do senhor Luis Arce. Digo isso para que todo mundo perceba claramente o bloqueio que existe à luta revolucionária anti-imperialista no Brasil”, exemplificou.
O dirigente encerrou seu discurso alertando para os planos do imperialismo na América Latina, citando a aplicação de políticas de ajuste e exceção na Argentina, Chile, Equador e Bolívia. Para ele, o resultado das urnas no Brasil será secundário diante da ofensiva em curso.
“Eles vão procurar aplicar essa política no Brasil. Ganhe quem ganhe a eleição. Porque não se trata simplesmente do voto. Até porque o voto é uma coisa que a burguesia tem condições de distorcer e de manipular”, projetou.
A saída apontada por Pimenta para a próxima etapa política repousa exclusivamente na ação direta:
“O que o imperialismo está preparando para o Brasil só poderá ser enfrentado vitoriosamente pela mobilização efetiva dos trabalhadores através das suas organizações, dos sindicatos, dos movimentos populares nas ruas. Esse é o caminho, companheiros. Esse é o único caminho”.



