No dia 22 de maio de 2026, a Secretaria de Comunicação do Movimento Nacional de Luta pela Moradia se deparou com a suspensão arbitrária de três contas vinculadas ao movimento na rede social Instagram: a conta nacional, a conta do Estado do Tocantins e a conta de nosso principal dirigente nesse Estado, o companheiro Bismarque do Movimento.
Essa prática tem se tornado rotineira contra páginas políticas, principalmente as vinculadas às organizações de esquerda que não comungam da cartilha política e ideológica dos grandes monopólios das redes sociais. Isso ocorre mesmo sem que haja processo judicial que justifique esse tipo de ação. E, se houvesse, já seria arbitrário, porque a Constituição garante a liberdade de expressão.
Nesse caso, um monopólio estrangeiro de comunicação quer estabelecer para uma reconhecida organização política, social e popular brasileira, de caráter nacional, o que se pode ou não dizer no território nacional. Isso é um completo absurdo e uma clara ingerência nos debates políticos que existem no País.
É preciso registrar que esse tipo de situação só está sendo possível porque determinados setores atrasados da própria esquerda serviram de testa de ferro para, em tese, dar base a esse tipo de coisa em defesa de uma suposta democracia que nunca existiu. Utilizam todo tipo de fantoche político, como o tal “discurso de ódio”, para impor a censura, com o intuito de garantir um pensamento único no País.
Na realidade, essa democracia sempre serviu de pretexto para minar as liberdades políticas das organizações populares e do conjunto da classe trabalhadora. Essa democracia sempre serviu para a burguesia manobrar politicamente com o objetivo de aprofundar a repressão e a exploração contra os trabalhadores. É para isso que serve o chamado regime democrático: ele é o invólucro, de acordo com Lênin em O Estado e a Revolução, da dominação dos capitalistas e imperialistas, da maneira mais brutal e esmagadora já vista pela humanidade.
Não obstante, essa tal democracia serve somente para manter o monopólio da terra, da comunicação, da indústria e do sistema financeiro nas mãos de um punhado de capitalistas nacionais e internacionais, em detrimento do esmagamento do povo. Povo esse que, quando ocupa uma terra, é despejado; quando resolve denunciar essa situação, é censurado; quando utiliza seu sindicato e a greve para reivindicar melhores remunerações, tem sua ferramenta de luta punida com multas milionárias.
É essa a mesma suposta democracia que tem punido aqueles que têm denunciado o genocídio do povo palestino; a violação da soberania nacional e os bombardeios criminosos contra civis no Líbano, no Irã e no Iêmen; a tentativa de invasão da Rússia pela OTAN; a utilização do Estado fantoche de Taiwan para invadir a China; os bombardeios na Venezuela com o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira combatente Cilia Flores; a forte repressão contra os trabalhadores bolivianos e a perseguição ao ex-presidente Evo Morales; etc.
Foi essa mesma democracia que derrubou a presidenta Dilma Rousseff e fraudou as eleições em 2018 com a prisão do presidente Lula; que destruiu o Minha Casa, Minha Vida e que invalida o cumprimento da função social da propriedade; que impôs a destruição do direito de milhares de trabalhadores com a Reforma Trabalhista e a Reforma da Previdência; que privatizou a Vale do Rio Doce, a Eletrobrás, a Telebrás e a Petrobrás; que tentou destruir a Embraer e desmontou a indústria bélica e nuclear.
Nós não devemos sair em defesa de um regime político que é claramente antipopular, que está em evidente decomposição e que é odiado pela população. As organizações populares precisam denunciá-lo e trabalhar sistematicamente para derrubá-lo, construindo uma nova forma de organização política em que o povo trabalhador seja o elemento fundamental das decisões políticas e estratégicas do País.





