“Israel” construiu novas bases militares na Faixa de Gaza desde a trégua de outubro de 2025, e imagens de satélite divulgadas na quarta-feira (3) identificaram 40 postos militares no território palestino. O levantamento apontou que oito instalações foram erguidas do zero depois do cessar-fogo, enquanto outras posições foram ampliadas e reforçadas. A expansão das bases contradiz a expectativa de retirada prevista no acordo e mostra uma ocupação cada vez mais agressiva dentro do território sitiado.
As imagens analisadas até maio de 2026 indicam que as forças “israelenses” não apenas permaneceram em Gaza, mas consolidaram presença militar de longo prazo. Em vez de simples postos de observação temporários, as instalações aparecem como estruturas fortificadas, com áreas para veículos, alojamentos, zonas internas de circulação e obras de proteção.
A distribuição das novas bases também revela um desenho de controle territorial. Duas foram instaladas no norte de Gaza, duas na região central, uma a leste do corredor Netzarim e três em Khan Yunis, no sul. O corredor Netzarim é uma rota usada pelo Exército de “Israel” para separar o norte e o sul da Faixa de Gaza, dificultando a circulação de palestinos e reforçando a divisão interna do território.
Uma das instalações foi construída sobre as ruínas do Cemitério Oriental, em Khan Yunis. As obras de engenharia começaram em novembro de 2025, depois que o terreno foi arrasado. Em maio de 2026, a área já tinha estruturas repetidas, espaços para veículos e indícios de uso por tropas. O avanço sobre um cemitério demonstra o desrespeito e a crueldade da ocupação, pois transforma um espaço de memória e sepultamento em infraestrutura militar.
No norte, em Beit Lahiya, imagens de outubro de 2025 mostravam uma área sem estruturas militares. Em meados de novembro, começaram obras no local. Até maio de 2026, já havia uma instalação cercada, com estruturas internas, indicando rapidez na transformação do terreno em posto permanente.
Além das novas bases, posições antigas foram ampliadas. A leste da Cidade de Gaza, um posto militar aumentou cerca de 70% em área entre outubro de 2025 e maio de 2026. A instalação passou a ter reorganização interna, novas áreas para veículos blindados e fortificações reforçadas. Em Gaza central, sensores de satélite identificaram trincheiras defensivas profundas em torno de uma posição já existente.
A concentração de bases ao redor das áreas povoadas aperta ainda mais a vida dos palestinos. As instalações são ligadas por aterros, estradas internas e trincheiras, formando uma rede que circunda centros populacionais e limita o acesso de civis às suas terras. O resultado é a redução da mobilidade dentro de um território já devastado por anos de bloqueio e pela guerra iniciada em outubro de 2023.
O acordo de cessar-fogo de outubro de 2025 previa o fim das hostilidades, a entrada imediata de ajuda, o desarmamento do Hamas e uma retirada “israelense” em fases. A realidade apontada pelas imagens mostra movimento contrário: em vez de recuar, “Israel” fortaleceu linhas militares e transformou zonas provisórias em posições com aparência duradoura.
O primeiro-ministro Benjamin Netaniahu afirmou recentemente que “Israel” controla 60% do território de Gaza e sugeriu avançar de forma gradual para porcentual maior. A declaração se soma às obras militares e indica que a permanência em Gaza deixou de ser apresentada apenas como medida temporária de segurança.
Desde outubro de 2023, os ataques “israelenses” mataram quase 73 mil palestinos e feriram mais de 172.919, com mulheres e crianças entre a maioria das vítimas. Mesmo depois da trégua, o Ministério da Saúde de Gaza registrou ao menos 929 mortos e 2.811 feridos em sete meses. A construção das novas bases aprofunda esse quadro, pois consolida a presença militar sobre áreas civis e prepara o terreno para nova ofensiva ou para uma ocupação prolongada.




