O banqueiro libanês Antoun Sehnaoui está no centro de uma rede de interesses políticos, financeiros e de imprensa que atua pela aproximação do Líbano com “Israel”. Uma investigação publicada pelo norte-americano The Grayzone, baseada também em reportagens do libanês L’Orient Today, apresenta Sehnaoui como um dos principais financiadores dessa operação.
Segundo a investigação, dinheiro do banqueiro alimenta publicações como Ici Beyrouth, This Is Beirut e Hunna Lubnan. Esses veículos participam da ofensiva contra o Hesbolá e defendem posições favoráveis à aproximação com o Estado sionista. O levantamento aponta ainda relações entre o círculo do banqueiro e grupos da extrema direita cristã libanesa.
Sehnaoui deixou poucas dúvidas sobre sua posição política quando apareceu, no fim de julho, em uma reunião particular em Washington com Benjamin Netaniahu. No Líbano, onde relações diretas com “Israel” são proibidas, advogados exigiram providências contra ele, e autoridades determinaram que fosse interrogado caso retornasse ao país.
Sua ligação com o aparelho norte-americano também vem de longa data. The Grayzone registra relações entre seus bancos e figuras ligadas ao Departamento do Tesouro dos Estados Unidos envolvidas na campanha para retirar o Hesbolá do sistema financeiro. Daniel Glaser, que atuou no Tesouro justamente na ofensiva financeira contra o movimento libanês, tornou-se posteriormente assessor do banco presidido por Sehnaoui.
As relações da família com “Israel” são ainda mais antigas. Segundo a investigação, Nabil Sehnaoui, pai de Antoun, manteve relações com autoridades sionistas e chegou a receber em sua casa David Kimche, então dirigente do Mossad, no fim da década de 1970.
É uma camada da burguesia libanesa funcionando abertamente como quinta coluna. Enquanto “Israel” ocupa território do Líbano e pressiona o país para desarmar a resistência, banqueiros e seus porta-vozes trabalham para que Beirute aceite exatamente as exigências do agressor.
Para essa oligarquia financeira, preservar seus bancos, fortunas e relações com Washington vale mais do que a soberania do próprio país.





