Um estudo baseado em 3.520 denúncias documentadas entre 2021 e 2025 encontrou um padrão sistemático de censura e restrição de publicações palestinas no Facebook e no Instagram. O levantamento foi produzido pelo Centro Árabe para o Avanço das Redes Sociais, 7amleh, em parceria com o pesquisador Fabio Cristiano, da Universidade de Utrecht.
Os pesquisadores concluíram que os casos não podem ser explicados como simples erros isolados da Meta. As mesmas formas de repressão aparecem repetidamente na aplicação das regras da empresa, nos mecanismos automáticos e no tratamento dado às reclamações dos usuários.
Uma das principais armas da censura é a regra destinada às chamadas “Organizações e Indivíduos Perigosos”. Criada formalmente para lidar com terrorismo e violência organizada, ela foi aplicada contra publicações de jornalistas, órgãos de imprensa, entidades civis, militantes e usuários palestinos comuns.
O levantamento encontrou ainda um enorme grau de arbitrariedade. Em quase 70% dos casos analisados, a pessoa punida nem sequer foi informada com clareza sobre qual regra teria violado. De aproximadamente 2.800 recursos apresentados pela 7amleh entre 2021 e 2025, quase metade não recebeu resposta da Meta.
Há também formas menos visíveis de censura. A empresa reduz a distribuição das publicações, retira conteúdos das recomendações, limita transmissões ao vivo, restringe recursos de determinadas contas e diminui sua visibilidade sem comunicar claramente a punição ao usuário.
Segundo o estudo, a repressão aumentou depois de 7 de outubro de 2023, precisamente quando as redes passaram a ter importância ainda maior para que os palestinos registrassem os ataques na Faixa de Gaza e mostrassem ao mundo aquilo que acontecia no território.
Depois de cinco anos, milhares de denúncias, punições repetidas e recursos ignorados, já não é possível apresentar o problema como acidente provocado por um programa defeituoso. Facebook e Instagram pertencem a um monopólio norte-americano que decide quais publicações serão vistas por bilhões de pessoas.
Enquanto “Israel” tenta esmagar militarmente o povo palestino, a Meta ajuda a diminuir a voz daqueles que denunciam os crimes do Estado sionista. A censura nas redes é parte da mesma guerra política travada contra a Palestina.





