A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou, nesta quarta-feira (3), uma resolução destinada a limitar os poderes de guerra do presidente Donald Trump em relação ao Irã. A medida foi aprovada por 215 votos a 208, com quatro deputados republicanos — Thomas Massie, Brian Fitzpatrick, Tom Barrett e Warren Davidson — unindo-se aos democratas contra a política militar do governo norte-americano.
A votação representa uma importante derrota política para Trump e um sinal claro da crise aberta no interior do próprio regime norte-americano. Após meses de agressão contra a República Islâmica, setores do Congresso passaram a se mover para conter a continuidade de uma guerra que tem produzido enorme desgaste político e econômico dentro dos próprios Estados Unidos.
A resolução foi apresentada pelo deputado Gregory Meeks, de Nova Iorque, principal democrata da Comissão de Relações Exteriores da Câmara. Embora tenha sido impulsionada pelos democratas, a medida só foi aprovada porque parte dos republicanos rompeu com a orientação da Casa Branca, refletindo a pressão crescente da população norte-americana contra mais uma aventura militar no Oriente Próximo.
O texto determina que Trump retire as forças norte-americanas envolvidas na guerra contra o Irã, a menos que o Congresso declare formalmente guerra ou autorize a operação militar. A medida ainda precisa passar pelo Senado, e o governo Trump contesta sua aplicação, mas a votação já constitui um revés político importante para os Estados Unidos.
A votação havia sido inicialmente marcada para 21 de maio, mas foi retirada de pauta pela direção republicana da Câmara. Na ocasião, Meeks acusou o presidente da Casa, Mike Johnson, de tentar proteger Trump de uma derrota. Segundo o deputado, parlamentares republicanos estavam sofrendo pressão em seus distritos diante do aumento do preço dos alimentos, dos combustíveis e de outros produtos básicos.
A guerra contra o Irã, iniciada com a agressão dos Estados Unidos e da ocupação sionista contra a República Islâmica, transformou-se em um problema de enormes proporções para o imperialismo. A resposta iraniana, com ataques estratégicos contra posições norte-americanas e israelenses na região, mostrou que a República Islâmica não seria derrotada por uma operação militar limitada.
O fechamento do Estreito de Ormuz aos inimigos do Irã e a seus aliados produziu forte impacto no mercado mundial de energia, atingindo diretamente a economia norte-americana. A alta dos combustíveis e a pressão inflacionária tornaram a guerra cada vez mais impopular dentro dos próprios Estados Unidos.
Antes da votação, Mike Johnson tentou defender a posição do governo, afirmando que uma resolução sobre poderes de guerra “enfraqueceria” a posição dos Estados Unidos e seria “perigosa” para o país.
Em outro desenvolvimento, inspetores gerais do Departamento de Guerra, do Departamento de Estado e da USAID anunciaram uma revisão conjunta da guerra dos Estados Unidos contra o Irã. A legislação norte-americana exige esse tipo de fiscalização quando operações militares no exterior ultrapassam 60 dias.
Pela Lei de Poderes de Guerra, o presidente dos Estados Unidos não pode manter tropas em hostilidades ativas por mais de 60 dias sem autorização do Congresso. O governo Trump, no entanto, iniciou a agressão contra o Irã sem buscar aprovação parlamentar.


