O governo da Venezuela rejeitou, na quarta-feira (27), declarações do presidente da Guiana, Irfaan Ali, de que Essequibo “é e seguirá sendo guianês”. A Venezuela classificou as falas como provocadoras e afirmou que não renunciará aos direitos sobre a região.
Irfaan Ali afirmou recentemente que Essequibo pertence e continuará pertencendo à Guiana. Ele disse que a região nunca foi venezuelana e defendeu que a disputa territorial seja tratada pela Corte Internacional de Justiça (CIJ) e pela diplomacia. Ali também declarou que seu país não busca guerra nem hostilidade contra o povo venezuelano, mas manterá a defesa de sua soberania.
A nota venezuelana respondeu a declarações de Ali feitas na terça-feira (26), durante as celebrações do 60º aniversário da independência da Guiana. O governo da Venezuela afirmou que as declarações foram feitas a partir de território de Essequibo, área administrada pela Guiana como resultado de despojo fraudulento executado pelo Reino Unido.
O governo venezuelano afirmou que as falas de Ali falsificam a verdade histórica e jurídica. Segundo a Venezuela, a discussão sobre a validade do Laudo Arbitral de Paris de 1899 foi superada pelo Acordo de Genebra de 1966, assinado entre Venezuela, Reino Unido e a então Guiana Britânica. Para o governo venezuelano, esse acordo é o único instrumento válido para resolver a controvérsia por meio de solução prática, satisfatória e mutuamente aceitável.
A Venezuela também reafirmou que não reconhece a jurisdição da CIJ para decidir a disputa territorial. O governo sustenta que nunca deu consentimento para que a corte julgasse a demanda apresentada unilateralmente pela Guiana. Por isso, exige negociação direta e afirma que o governo guianense tem obrigação de sentar “cara a cara” com a Venezuela.





