Guerra no Oriente Próximo

Sionista reconhece que Irã impôs derrota aos EUA

Sionista do NYT tenta colocar a derrota para o Irã apenas nas costas de Trump, mas o fato é que imperialismo vem acumulando derrotas desde o Vietnã

Trump e Bibi

O artigo Até o melhor acordo possível para pôr fim à guerra com o Irã será um mau acordo, e sairá caro demais, de Thomas Friedman, publicado no Estadão nesta terça-feira (27), mostra o desespero dos sionistas norte-americanos, que subestimaram o Irã e foram obrigados a lidar com a dura realidade. Friedman é colunista do The New York Times e escreve semanalmente sobre temas internacionais.

De início, o autor afirma que “restam apenas duas perguntas sobre a guerra dos EUA com o Irã. Primeiro, qual o custo da vergonha que o presidente Donald Trump terá de passar para terminar esse conflito com pelo menos algumas conquistas? E segundo, se essa vergonha caríssima será passada no crédito ou no débito?”.

Quanto à segunda pergunta, a resposta é simples: no crédito. O único problema são os juros. Apenas o pagamento do serviço da dívida soberana dos Estados Unidos ultrapassa US$1 trilhão, algo como US$6 bilhões por dia. Os juros consomem 14% de tudo o que o governo arrecada.

Sobre a primeira pergunta, Trump não está passando vergonha sozinho. Benjamin Netaniahu foi completamente humilhado. “Israel” provou que não consegue lidar sozinho com o Irã. Precisou da ajuda dos Estados Unidos, da Alemanha, do Reino Unido, da França, da Itália, da Jordânia, das monarquias árabes, da Austrália e, talvez, de outros aliados. Ainda assim, não conseguiu derrotar os iranianos. Portanto, a vergonha está bastante socializada.

O problema para o presidente norte-americano é que ele se elegeu prometendo acabar com as guerras eternas e com os gastos astronômicos que delas resultam.

Friedman diz que, pessoalmente, não se importa com a vergonha de Trump, desde que o resultado seja “a entrega, pelo Irã, de seus cerca de 450 quilos de urânio quase enriquecido para armas nucleares”. Segundo ele, “isso eliminaria a ameaça imediata de uma bomba iraniana, o que seria muito bom”. O articulista não explica por que um país soberano deveria ser obrigado a aceitar tal humilhação. Além disso, o Irã não estava atrás de armas nucleares. Após o ataque covarde dos Estados Unidos e de seus aliados, talvez o entendimento do governo iraniano seja outro.

A arrogância de Friedman é impressionante. Nenhum sionista tem o direito de chamar o governo do Irã de “vil e assassino”. Vil e assassino é o Estado que bombardeia escolas e hospitais e assassina, de maneira sistemática, a população civil.

Choque de realidade

Friedman parece não ter entendido o que aconteceu. Ele afirma que “Trump, o vice-presidente J.D. Vance, o secretário de Defesa Pete Hegseth e o secretário de Estado Marco Rubio serão lembrados como a equipe que deu à república islâmica uma segunda chance de vida justamente quando ela estava mais fragilizada do que nunca perante seu próprio povo”. Está completamente enganado.

Ninguém deu nada ao Irã. O país impôs uma derrota ao imperialismo. Dizer que o governo iraniano estava “mais fragilizado que nunca” é repetir o erro de Trump, que caiu na conversa de Netaniahu.

Friedman supõe que “a única maneira de o Irã abrir mão desse urânio enriquecido será como parte de um acordo que, com o tempo, suspenda o bloqueio americano às exportações de petróleo iranianas e toda a complexa rede de sanções econômicas dos EUA contra Teerã”. Daí conclui que “esse alívio proporcionará ao regime uma enorme injeção de dinheiro que ele poderá usar para comprar — ou continuar a reprimir — seus oponentes internos e para financiar seus aliados no Líbano, Iraque e Iêmen”.

Qual seria exatamente o problema de o governo iraniano reprimir mercenários comprados pela CIA e pelo Mossad? Deveria deixá-los atirar contra a população, incendiar mesquitas e assassinar agentes de segurança?

Também não há nenhum problema em financiar aliados. A menos que Friedman esteja defendendo que os Estados Unidos parem de mandar montanhas de dinheiro para o Estado de “Israel”.

O espantalho

O articulista afirma que “como Trump e sua equipe de segurança nacional não fizeram nenhum planejamento de cenários aparente antes da guerra — confiando apenas nas promessas do primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, de que o regime iraniano ruiria como um castelo de cartas após algumas semanas de intensos bombardeios — eles não previram o que o Irã poderia fazer com as costas contra a parede”.

O problema é que o Irã provou que não estava acuado. O país vinha se preparando há décadas para a agressão que sofreria inevitavelmente. Os sionistas e os Estados Unidos é que ficaram contra a parede, pois logo imploraram pelo cessar-fogo, como já haviam feito na Guerra dos Doze Dias. Ao que parece, não aprenderam nada com a derrota anterior.

Biden ou Kamala Harris teriam êxito no lugar de Trump? A crise do imperialismo não começou agora. Os Estados Unidos acumulam derrotas desde o Vietnã.

Estratégia brilhante

Os iranianos demonstraram uma habilidade incomum diante da guerra de agressão que sofreram. Souberam ampliar o conflito para a região e colocar o imperialismo diante de uma situação que ele não tinha como resolver: proteger, ao mesmo tempo, o Estado de “Israel” e as monarquias petrolíferas.

Com o passar dos dias, o Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI) ampliou seu poder de ataque, quando a expectativa do imperialismo era a de que os ataques iranianos perdessem força.

Aviões foram derrubados, a frota norte-americana teve que fugir às pressas, além de esconder o número de baixas. No meio disso tudo, diversas bases dos Estados Unidos foram reduzidas a cinzas, assim como sistemas de radar bilionários.

O fechamento do Estreito de Ormuz foi uma jogada de mestre. Ninguém supunha que o Irã teria coragem de fazer essa manobra, mas esse foi seu principal trunfo. Como o próprio Friedman é obrigado a reconhecer, “agora, e para sempre, os iranianos saberão que nós sabemos que Teerã pode cortar o fornecimento de petróleo mais importante do mundo quando quiser. Essa nova fonte de influência para o regime iraniano é inestimável”.

Final feliz?

Thomas Friedman afirma que “para concluir, gostaria de reiterar o que disse no dia em que Trump e Netanyahu iniciaram esta guerra: nada melhoraria mais o futuro do Oriente Médio do que a derrubada deste regime terrível em Teerã e a eliminação de suas ambições nucleares”.

Felizmente, o “regime terrível” derrotou os “regimes bonzinhos”. A derrota do imperialismo no Afeganistão mostrou aos países oprimidos que é possível vencer. O Irã confirmou essa lição.

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