A editora Demócritos realiza nesta quinta-feira, no Sebinho Livraria, em Brasília, mais um lançamento nacional da obra que retrata quase quatro décadas da luta do povo palestino; após grande atividade em São Paulo, o livro também será lançado no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte
É hoje, em Brasília, o lançamento de O Espinho e o Cravo, romance autobiográfico escrito por Yahya Sinwar nas prisões sionistas e publicado no Brasil pela Editora Democritos. A atividade acontece às 18 horas, no Sebinho Livraria, Cafeteria, Bistrô e Restaurante, localizado na CLN 406, Bloco C, Loja 44, na Asa Norte. O lançamento integra a campanha nacional de divulgação da edição brasileira da obra, considerada uma das publicações mais importantes já lançadas no País sobre a luta do povo palestino e a resistência contra a ocupação israelense.
Com cerca de 800 páginas divididas em dois volumes, O Espinho e o Cravo reconstrói a história recente da Palestina a partir da trajetória de uma família palestina submetida à ocupação sionista desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967, até os acontecimentos da Segunda Intifada. Mais do que um romance, a obra constitui um testemunho político e histórico escrito por um dos principais dirigentes da resistência palestina contemporânea, apresentando ao leitor a vida cotidiana nos campos de refugiados, a brutalidade das prisões israelenses, a organização política da resistência e o desenvolvimento das diferentes correntes que marcaram a luta nacional palestina ao longo de quase quarenta anos.
O lançamento em Brasília ocorre em meio à intensificação da solidariedade internacional à Palestina e ao crescente interesse do público brasileiro por obras capazes de explicar, a partir da experiência concreta do povo palestino, os fundamentos históricos da luta contra o sionismo e o imperialismo no Oriente Médio. O evento contará com a presença de Expedito Mendonça, pré-candidato ao governo do Distrito Federal, além de militantes e apoiadores da causa palestina. A Editora Demócritos destaca que a divulgação da literatura palestina é parte da campanha política em defesa da Palestina e contra o genocídio promovido por “Israel” na Faixa de Gaza.
A trajetória de Yahya Sinwar confere à obra um caráter singular. Nascido em 1962, no campo de refugiados de Khan Iunis, na Faixa de Gaza, Sinwar pertence a uma família expulsa de Ascalão durante a Nakba de 1948. Preso por “Israel” em 1988 e condenado à prisão perpétua, escreveu o romance dentro das cadeias israelenses. Para impedir que o manuscrito fosse destruído pelos carcereiros, os próprios prisioneiros palestinos copiaram e esconderam trechos do texto clandestinamente, preservando a obra até sua publicação posterior.
O lançamento em Brasília sucede à atividade realizada em São Paulo, no último dia 9, no Centro Cultural Benjamin Péret (CCBP), que reuniu dezenas de pessoas em torno do debate sobre a Palestina e sobre o papel político da literatura da resistência. A atividade contou com a participação de Henrique Áreas, Juca Simonard e Rui Costa Pimenta, que destacaram a importância histórica e política da publicação brasileira do romance. Durante o evento, Simonard explicou o intenso trabalho editorial realizado para comparar a primeira tradução em português com o original em árabe e com versões disponíveis em outras línguas, buscando produzir uma edição fiel ao texto escrito por Sinwar nas prisões sionistas.
Em São Paulo, o debate também destacou o valor histórico da obra, que acompanha a transformação política da resistência palestina desde a derrota árabe na Guerra dos Seis Dias até o surgimento das Brigadas Izz ad-Din al-Qassam e o desenvolvimento da Segunda Intifada. Foram discutidos episódios como a vida nos campos de refugiados, a organização dos presos palestinos dentro das cadeias israelenses, a ascensão do Bloco Islâmico, os Acordos de Oslo e o fortalecimento das organizações de resistência diante da ocupação sionista. Rui Costa Pimenta ressaltou que o romance oferece ao leitor algo raro: o testemunho direto de uma figura central da luta palestina, escrito a partir da experiência concreta da prisão e da resistência.
Próximos lançamentos
A Editora Demócritos pretende transformar os lançamentos do livro em atividades políticas e culturais permanentes em diversas capitais brasileiras. Além de Brasília, já estão confirmados novos eventos no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte neste sábado, dia 30 de maio. Na capital fluminense, o lançamento ocorrerá às 16 horas, no Sinaerj, localizado na Avenida Treze de Maio, nº 13, 8º andar, no Centro do Rio de Janeiro. Já em Belo Horizonte, a atividade acontece às 19 horas, no CENARAB, na Rua Desembargador Barcelos, nº 102, no bairro Calafate.
Segundo os organizadores, a campanha nacional de divulgação da obra deve continuar nas próximas semanas, alcançando ainda cidades como Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre. A intenção é ampliar o acesso do público brasileiro a uma obra pouco divulgada internacionalmente, mas considerada fundamental para compreender a história recente da Palestina e a formação política da resistência palestina diante da ocupação israelense.
A edição brasileira de O Espinho e o Cravo já está disponível para aquisição por R$ 270,00 e inclui acesso à versão digital. Informações sobre compra e organização de novos lançamentos podem ser obtidas pelo telefone (11) 99741-0436 e pelo sítio oficial da editora em democritos.com.br.





