Ricardo Machado

É dirigente do Sindicato dos Bancários de Brasília e ex-dirigente da CUT-DF. Integra a Coordenação dos Comitês de Luta do DF e Membro do Partido da Causa Operária (PCO)

Coluna

Conferência dos bancários e suas tarefas

Essa Conferência se realizará numa etapa de profunda crise do conjunto dos países imperialistas e do regime capitalista

A 28ª Conferência Nacional dos Trabalhadores Bancários está marcada para acontecer na cidade de São Paulo entre os dias 19 e 21 de junho próximo, com a expectativa de cerca de 700 delegados eleitos em todo o território nacional.

Essa Conferência será realizada em um período em que os banqueiros vêm desfechando um dos maiores ataques dos últimos tempos ao conjunto da categoria, por meio da política de demissão em massa, fechamento de centenas de agências bancárias, descomissionamento, tentativa de liquidar a jornada de trabalho dos bancários de 30 horas semanais, arrocho salarial, assédio moral para o cumprimento de metas, além do maior índice de adoecimento mental etc.

Além disso, essa Conferência se realizará em uma etapa de profunda crise do conjunto dos países imperialistas e do regime capitalista, confirmando o esgotamento histórico desse regime social de exploração.

A última reunião das grandes potências do G7 demonstra uma tentativa fracassada de buscar “soluções” para conter a enorme crise política, econômica e social instalada no próprio coração do capitalismo, nas grandes potências econômicas — Estados Unidos, Alemanha, França, Japão etc. Essa ferramenta de dominação dos grandes banqueiros, capitalistas e do imperialismo se vê confrontada com a crise no Oriente Médio, com o fechamento do Estreito de Ormuz; o fracasso da OTAN no ataque à Rússia; a crise entre a China e o Japão envolvendo a ilha de Taiwan etc.

Diante da evidente ausência de alternativas concretas para solucionar as crises, a única via que encontram como “solução” é o aprofundamento do ataque às economias dos países atrasados, por meio de diversos mecanismos de transferência de recursos, principalmente através do famigerado pagamento dos juros da dívida pública, da privatização das empresas estatais e do aumento das exportações de commodities a preços subsidiados.

Esses mecanismos estão sendo veementemente repudiados pelos trabalhadores e pela população em geral, como nos casos recentes da Bolívia e da Argentina, em que os governos desses países tentam implantar uma política neoliberal puro-sangue, sob a supervisão do imperialismo, principalmente norte-americano, de confisco dos direitos e conquistas dos trabalhadores, ou seja, acelerar todas as formas de transferência de recursos e capitais para tentar salvar a economia das grandes potências em crise.

Diante disso, a 28ª Conferência dos Bancários terá um papel fundamental na próxima Campanha Salarial da categoria, cuja data-base será em setembro de 2026.

A categoria bancária sempre foi, e continua sendo, um setor do movimento dos trabalhadores de extrema importância política e decisiva em relação às lutas operárias brasileiras. É uma das poucas categorias que conseguiu, por meio de muita luta, um Contrato Coletivo de Trabalho (CCT), uma jornada de trabalho de 30 horas semanais com o fim de semana para descanso, dentre outras conquistas.

Mas, nos últimos anos, os banqueiros e seus governos, com a omissão e a complacência das burocracias sindicais, vêm roubando sistematicamente a categoria bancária por meio dos rebaixados acordos salariais, nos quais os índices acordados com os banqueiros nas mesas de negociação, e defendidos caninamente pelos dirigentes sindicais, impõem um enorme arrocho salarial. Nem mesmo a inflação — não essa fajuta dos órgãos do governo — vem sendo reposta nos salários dos bancários.

A política da direção majoritária, a Contraf (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro), tem sido de completa omissão diante dos ataques dos banqueiros contra os trabalhadores e a população. Buscou-se uma política quase exclusiva de eternas negociações e de pactos, sem que houvesse uma verdadeira e efetiva mobilização da categoria para que, nas negociações, os trabalhadores tivessem poder de barganha.

No mesmo período da data-base dos bancários, outras categorias de trabalhadores também estarão em campanha salarial, tais como os trabalhadores dos Correios, petroleiros e metalúrgicos, que vêm sofrendo ataques sistemáticos dos patrões. Nos Correios, a empresa passa por um processo de desmonte da empresa pública, com o fechamento de agências, retirada de direitos, demissões em massa através dos famigerados PDVs, ameaças a dirigentes sindicais etc. Na Petrobrás, da mesma forma que nos Correios e nos bancos, a política de terceirização avança a todo vapor. Dos pouco mais de 49 mil trabalhadores petroleiros efetivos, há mais de 107 mil terceirizados, além de um passivo trabalhista gigantesco, em que os salários dos trabalhadores foram corroídos ao longo dos anos.

Nesse sentido, está colocado como um dos eixos centrais desta campanha salarial dos bancários mobilizar o conjunto da categoria, buscando uma unidade com o conjunto dos trabalhadores que estão em data-base nesse mesmo período, através da unificação nacional pela CUT, exigindo o fim das terceirizações, estabilidade no emprego, reajuste dos salários quando a inflação atingir 3%, piso salarial vital para uma família de trabalhadores etc.

Para que essas questões de fundamental importância para os bancários e para os trabalhadores em geral possam ser concretizadas, são necessárias uma ampla e vigorosa campanha de mobilização dos trabalhadores pela base, a organização de reuniões nos locais de trabalho, a realização de plenárias, assembleias presenciais por categoria e por cidade, além de encontros regionais, estaduais e nacionais. Para viabilizar essa luta, é necessária uma firme direção política disposta a levar adiante, até o fim, essas propostas e essa campanha salarial.

* A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião deste Diário

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