O governo húngaro restabeleceu a proibição da importação de produtos agrícolas da Ucrânia, depois de ter permitido que as restrições expirassem com o fim do estado de emergência decretado ainda durante o governo de Viktor Orbán. A medida havia sido criada em 2023 para impedir que produtos ucranianos, vendidos a preços mais baixos, inundassem o mercado húngaro e prejudicassem os agricultores locais.
A proibição atinge cerca de 20 categorias de mercadorias agrícolas, entre elas carne bovina, suína e de frango, ovos, sementes de girassol, milho, trigo, cevada, farinha e óleo de colza. Segundo a imprensa europeia, o mel também poderá ser incluído na lista final. O trânsito de produtos ucranianos pelo território húngaro continua permitido, mas a entrada dessas mercadorias no mercado interno voltou a ser bloqueada.
O recuo ocorreu depois de pressão da principal associação de agricultores do país e de relatos de que carregamentos de grãos já haviam atravessado a fronteira. Na sexta-feira (22), o governo publicou um decreto retomando a proibição. O primeiro-ministro Peter Magyar confirmou a decisão, afirmando que a Hungria “proíbe a importação de produtos agrícolas da Ucrânia”.
Um porta-voz do governo declarou à Euractiv que as restrições haviam sido suspensas por “erro legislativo”. Segundo a versão oficial, o novo governo revisava quase mil decretos herdados da administração anterior e a proibição contra os produtos ucranianos acabou “não sendo levada em conta”. O ministro da Agricultura, Szabolcs Bóna, classificou o caso como uma “grave armadilha legislativa para os agricultores húngaros” e prometeu que o governo não permitirá que produtos ucranianos ou de qualquer outro país ameacem o sustento dos produtores locais.
A decisão mostra os limites da política pró-União Europeia do novo governo húngaro. Magyar chegou ao poder prometendo maior aproximação com o bloco, mas foi obrigado a manter uma medida que a própria União Europeia considera ilegal. Para a Comissão Europeia, a política comercial é competência exclusiva do bloco, e medidas unilaterais como as adotadas por Hungria, Polônia e Eslováquia não seriam aceitáveis. Este Diário já havia destacado, em 2023, que a crise dos grãos ucranianos vinha colocando em choque até mesmo governos aliados da Ucrânia, pois a entrada em massa desses produtos provocava queda de preços e prejuízos aos agricultores dos países vizinhos.
Polônia e Eslováquia mantêm restrições semelhantes às da Hungria. A União Europeia chegou a criticar duramente essas medidas, mas não conseguiu impedir que os governos nacionais respondessem à pressão dos produtores rurais. Vladimir Zelensqui, presidente em exercício da Ucrânia, ainda não comentou a retomada da proibição húngara. Ele, no entanto, já criticou várias vezes os embargos adotados por países vizinhos.




