Política internacional

Guerra contra o Irã trava envio de armas dos EUA a Taiuã e Leste Europeu

Conflito no Oriente Próximo consumiu grandes quantidades de armamentos sofisticados, incluindo mísseis interceptadores e munições de alta precisão

Governo de Taipé disse não ter sido informado sobre mudança nas vendas militares; Washington cita necessidade de recompor estoques após agressão ao Irã

O governo de Taiuã afirmou, nesta quinta-feira (22), não ter sido informado sobre qualquer “ajuste” nas vendas de armas dos Estados Unidos à ilha, depois que um alto funcionário norte-americano declarou que as entregas haviam sido suspensas temporariamente. A justificativa apresentada foi a necessidade de recompor os estoques militares norte-americanos após a agressão dos Estados Unidos e do Estado de “Israel” contra o Irã.

A declaração foi feita pelo secretário interino da Marinha dos Estados Unidos, Hung Cao, durante audiência no Subcomitê de Defesa do Senado norte-americano. Questionado sobre futuras vendas de armas a Taiuã, Cao afirmou que os Estados Unidos faziam uma “pausa” nas entregas para garantir que tivessem munições suficientes para a operação denominada “Fúria Épica”.

“É apenas que, neste momento, estamos fazendo uma pausa para garantir que tenhamos as munições de que precisamos para a Fúria Épica — e temos muitas”, afirmou Cao. Ele acrescentou que as vendas militares externas devem continuar quando o governo Trump considerar necessário.

A fala expôs a dependência militar de Taiuã em relação aos Estados Unidos. No início de maio, o presidente Donald Trump já havia afirmado que as entregas de armas a Taiuã eram “uma ótima moeda de negociação” com a China. A declaração contrariou a versão oficial dos Estados Unidos, que há décadas vendem armamentos à ilha sob o pretexto de “defesa”.

Na ocasião, o governo taiuanês tentou minimizar a declaração de Trump. O presidente Lai Ching-te afirmou que as vendas de armas norte-americanas eram “a dissuasão mais importante” contra um possível conflito na região. A China, por sua vez, denuncia há anos a cooperação milita como violação da política de “Uma Só China” e ingerência direta em seus assuntos internos.

A suspensão temporária ocorre em meio ao desgaste dos arsenais norte-americanos. A guerra contra o Irã consumiu grandes quantidades de armamentos sofisticados, incluindo mísseis interceptadores e munições de alta precisão. Embora autoridades norte-americanas afirmem que os Estados Unidos ainda mantêm capacidade militar suficiente caso o conflito seja retomado, avaliações independentes apontam uso elevado de equipamentos caros e de reposição lenta.

O problema não atinge apenas Taiuã. O Pentágono também teria alertado aliados europeus, entre eles Reino Unido, Polônia, Lituânia e Estônia, sobre atrasos prolongados nas entregas de armamentos. De acordo com o jornal britânico Financial Times, os atrasos devem afetar munições para lançadores móveis de foguetes e sistemas antiaéreos.

O governo norte-americano afirmou que está “avaliando cuidadosamente novos pedidos de equipamento de parceiros, bem como casos existentes de transferência de armas, para garantir alinhamento com necessidades operacionais”. A declaração indica que os Estados Unidos passaram a subordinar seus compromissos militares externos às exigências abertas pela guerra no Oriente Próximo, em especial após o confronto com a República Islâmica do Irã.

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