O líder militar paquistanês, marechal de campo Syed Asim Munir, chegou a Teerã na sexta-feira (22) para tratar das negociações indiretas entre Irã e Estados Unidos (EUA). A visita ocorre em meio à mediação paquistanesa para consolidar o fim permanente da guerra iniciada após ataques militares de EUA e “Israel” contra a República Islâmica, em 28 de fevereiro, e marca a segunda ida de Munir ao Irã em pouco mais de um mês.
Munir foi recebido na capital iraniana pelo ministro do Interior do Irã, Eskandar Momeni. Durante a permanência no país, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas paquistanês deve se reunir com autoridades iranianas de alto escalão para discutir os contatos entre Irã e EUA, a estabilidade regional e temas de interesse comum. A presença do militar em Teerã reforça o papel assumido pelo Paquistão como intermediário nas conversas, em um momento no qual o país persa busca negociar com cautela, mantendo suas exigências centrais.
A viagem também se soma à presença do ministro do Interior do Paquistão, Mohsin Naqvi, que já estava em Teerã havia dois dias para participar da facilitação das conversas indiretas. Esses contatos têm como base uma proposta iraniana de paz em 14 pontos, apresentada por meio da mediação paquistanesa. O governo iraniano sustenta que, nesta etapa, o objetivo imediato das negociações deve ser o fim da guerra na região, deixando outros temas, como o programa nuclear, para uma fase posterior.
No mês anterior, o marechal Asim Munir já havia realizado uma visita de três dias ao Irã, quando se encontrou com lideranças civis e militares. Entre os interlocutores estiveram o presidente Masoud Pezeshkian, o presidente do Parlamento, Mohammad Baqer Qalibaf, o chanceler Abbas Araghchi e o comandante do Quartel-General Central Catam Al-Anbiya das Forças Armadas iranianas, major-general Ali Abdollahi. A repetição da agenda em Teerã indica que o Paquistão busca manter um canal constante entre as partes envolvidas no conflito.
A mediação paquistanesa ganhou força depois que o Paquistão ajudou a garantir um cessar-fogo em 8 de abril. Em seguida, o Paquistão sediou, nos dias 11 e 12 de abril, as conversas de mais alto nível entre EUA e Irã desde 1979. Desde então, o governo paquistanês vem tentando viabilizar uma nova rodada para transformar a trégua inicial em uma solução duradoura para a guerra.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou na quarta-feira que o país persa conduz as tratativas “de boa-fé”, mas mantém “profunda suspeita” em relação aos EUA. Segundo ele, várias mensagens foram trocadas por meio de intermediários paquistaneses. Baghaei destacou que as reivindicações iranianas incluem a liberação de ativos congelados, questões ligadas ao que o Irã descreve como pirataria marítima e ações de assédio contra embarcações da República Islâmica.
Baghaei também afirmou que o lado norte-americano precisa provar seriedade. Para o Irã, a negociação ocorre em ambiente de forte desconfiança, marcado pelo histórico recente de ações dos EUA contra o Irã. O governo iraniano sustenta que suas Forças Armadas permanecem em vigilância e que não há espaço para confiança automática no lado oposto.
A chegada de Munir, portanto, tem peso diplomático e militar. O Paquistão aparece como ponte entre dois países que não mantêm relações normais há décadas e que agora discutem, por canais indiretos, uma saída para a escalada regional. A missão do chefe militar paquistanês em Teerã busca dar continuidade a esse esforço.





