Trabalhadores palestinos cidadãos de “Israel” estão sendo proibidos por gerentes e empresários de falar árabe durante o expediente, segundo casos reunidos pelo portal Middle East Eye.
As denúncias envolvem hospitais, farmácias e lojas. Em um dos casos, uma gerente ordenou que funcionárias palestinas utilizassem somente o hebraico.
“Este é um Estado judeu. Aqui falamos só hebraico. O árabe fica em casa”, teria dito.
Outro episódio ocorreu em uma filial da rede de farmácias Good Pharm, em Jafa. Mensagens enviadas por WhatsApp mostram um gerente ameaçando trabalhadores que falassem línguas diferentes do hebraico.
Ele justificou a ordem afirmando que ouvir árabe poderia afastar clientes supostamente traumatizados pelos acontecimentos de 7 de outubro de 2023. A língua utilizada por milhões de palestinos foi, assim, apresentada como uma ameaça aos consumidores judeus.
Os palestinos cidadãos de “Israel” somam cerca de 2 milhões de pessoas, aproximadamente 20% da população. Desde outubro de 2023, passaram a enfrentar mais prisões, processos disciplinares e demissões por manifestações políticas relacionadas ao genocídio na Faixa de Gaza.
A proibição do árabe não se limita a uma decisão particular de alguns gerentes. Ela é resultado da política oficial do Estado sionista contra a população palestina.
O árabe é a língua dos habitantes originários da Palestina. Era falado no território muito antes da criação de “Israel”, em 1948, e continua presente nas famílias, nas cidades, nas escolas e nos locais de trabalho.
Em 2018, “Israel” aprovou a chamada Lei do Estado-Nação. O hebraico passou a ser definido como único idioma oficial, enquanto o árabe foi rebaixado a uma língua com status especial.
A mesma lei declarou que o direito à autodeterminação no território pertence exclusivamente ao povo judeu. Os palestinos foram formalmente tratados como uma população sem direitos nacionais sobre a própria terra.
As ordens dadas nos locais de trabalho põem essa política em prática. Ao retirar do árabe sua condição oficial, o Estado estimulou empresários e chefes a tratá-lo como uma língua indesejada.
A perseguição aumentou com o genocídio em Gaza. Palestinos foram presos, suspensos de universidades ou demitidos por publicações na Internet, manifestações de solidariedade e críticas aos bombardeios.
Agora, em determinados locais, nem sequer é necessário emitir uma opinião política. Falar árabe já basta para que um trabalhador seja ameaçado.
A advogada trabalhista Alya Zoabi informou que a maioria dos casos recebidos por seu escritório envolvendo locais de trabalho controlados por judeus está relacionada ao racismo. Segundo ela, houve um aumento significativo dessas denúncias.
A legislação trabalhista de “Israel” proíbe formalmente a discriminação por nacionalidade, raça e religião, mas não garante de forma explícita o direito de utilizar qualquer língua em todos os locais de trabalho. Os patrões aproveitam essa brecha para pressionar os funcionários palestinos.
Mesmo quando a proibição pode ser questionada judicialmente, o risco de perder o emprego leva muitos trabalhadores ao silêncio.
O Estado sionista não persegue somente os palestinos de Gaza e da Cisjordânia. Também procura intimidar os palestinos que permaneceram nos territórios ocupados em 1948. A tentativa de expulsar o árabe dos locais de trabalho é parte da mesma política destinada a apagar a presença do povo originário da Palestina.





