A rebelião em curso na Bolívia continuou crescendo nesta quinta-feira (21), com as mobilizações da Central Obrera Boliviana (COB) e o aumento dos bloqueios de estradas em todo o país. Segundo dados divulgados pelo próprio governo, os pontos de bloqueio passaram de 32 para 46 nas últimas 24 horas.
A marcha convocada pela COB saiu pela manhã da cidade de El Alto e chegou ao centro de La Paz, dando continuidade à greve geral por tempo indeterminado, que já dura mais de duas semanas. O movimento se opõe à política econômica do governo de Rodrigo Paz e reúne setores operários, camponeses e indígenas.
Enquanto a mobilização avançava na capital, o governo realizou operações conjuntas entre o Exército e a Polícia Nacional para liberar pontos estratégicos de abastecimento. Na planta de Senkata, em El Alto, as forças de segurança organizaram um “cordão humanitário” para permitir a saída de 70 caminhões-tanque com combustível destinados a La Paz e à própria cidade de El Alto.
Também na madrugada desta quinta-feira, uma operação militar-policial liberou a estrada para Santa Cruz, que estava tomada por manifestantes. Apesar disso, dirigentes camponeses afirmaram que os bloqueios serão reinstalados nos mesmos pontos de onde foram retirados.
O conflito, que inicialmente se concentrava nas áreas urbanas de La Paz e El Alto, agora se desloca com mais força para as províncias e rodovias interdepartamentais. Dos 46 pontos de bloqueio registrados, ao menos 26 estão sob controle de camponeses aimarás do altiplano.
As organizações indígenas condenaram a postura do governo e afirmaram que ampliarão os protestos caso haja novas tentativas de desmobilização pela força. A presença crescente de militares e policiais nas estradas tende a aumentar a tensão entre o governo e os setores mobilizados.
Em meio à crise, o presidente Rodrigo Paz anunciou a criação de um “Conselho Econômico e Social”, que deverá se reunir mensalmente com setores dispostos a negociar com o governo. No entanto, Paz descartou qualquer diálogo com a direção da greve, especialmente com os grupos que exigem sua renúncia.
O governo também mantém a ordem de prisão contra Mario Argollo, secretário-executivo da COB, o que dificulta ainda mais uma possível negociação. Dirigentes sindicais afirmam que as prisões e ameaças contra lideranças não impedirão a continuidade das mobilizações.
A situação segue indefinida. De um lado, o governo tenta garantir o abastecimento e retomar o controle das estradas; de outro, a COB e os setores camponeses prometem manter e ampliar os bloqueios até que suas reivindicações sejam atendidas.





