A ONG Cruz Vermelha Britânica divulgou pesquisa estimando que centenas de crianças refugiadas serão separadas de suas famílias, no Reino Unido, na segunda-feira (18), após a suspensão da reunião familiar efetivada em setembro de 2025. A medida atinge sobretudo mulheres e crianças, enquanto o Ministério do Interior britânico prepara regras mais duras e defende que a chegada de familiares pressiona serviços públicos e prefeituras.
Embora não seja uma fonte neutra ou isenta, de fato, a política britânica tende a aumentar a separação entre filhos de imigrantes e seus parentes já reconhecidos como refugiados no país. Conforme os dados da ONG, entre 550 e 1.360 crianças podem permanecer separadas de familiares a cada mês em que a suspensão continuar. Dentro desse total, entre 180 e 430 seriam menores desacompanhados, sem a presença dos pais ou responsáveis diretos. A ONG informou ainda que foi procurada por 1.160 famílias afetadas pela mudança, muitas delas de origem afegã, sudanesa, iemenita e eritreia.
A suspensão atingiu um dos poucos caminhos legais para que crianças pudessem se reunir a pais e mães já reconhecidos como refugiados no Reino Unido. Antes da mudança, um adulto com proteção reconhecida podia pedir a vinda de cônjuge, companheiro ou filhos dependentes menores de 18 anos. Desde setembro de 2025, novos pedidos pela via de reunião familiar foram suspensos, e as famílias passaram a ser empurradas para outras regras, com exigências financeiras e documentais mais pesadas. A Cruz Vermelha afirma que, pelas rotas alternativas, podem ser cobradas taxas por pessoa e exigidos renda mínima, comprovação de moradia e domínio de inglês.
O governo britânico sustenta que a reunião familiar deixou de ser automática e que a regra antiga causava forte impacto sobre moradia, escolas, atendimento social e serviços locais. Dados oficiais mostram que, no ano encerrado em junho de 2025, foram concedidos 20.817 vistos de reunião familiar de refugiados, número 30% maior que o do período anterior. O próprio governo reconhece que mulheres e crianças compunham a maioria dos beneficiários, em especial pessoas vindas da Síria, do Irã e do Afeganistão.
A justificativa oficial, porém, é frágil e contestada até mesmo por uma ONG ligada ao próprio imperialismo. Documentos apresentados em processo judicial indicaram que integrantes do governo haviam sido alertados de que restringir a reunião familiar poderia até incentivar travessias perigosas em barcos, porque retiraria uma via regular de chegada. A contestação judicial foi movida por refugiados com familiares em regiões de risco e pela ONG Caminho Seguro, que obteve autorização para questionar a decisão com base no dever do Estado de proteger crianças.





