Itamar Ben-Gvir defendeu o sequestro de mulheres e jovens libaneses durante reunião do gabinete de segurança de “Israel” na terça-feira (9), como forma de pressionar o Hesbolá. A proposta foi feita em meio à discussão sobre a ampliação da invasão militar “israelense” no Líbano, apesar de um cessar-fogo anunciado pelos Estados Unidos (EUA) no início do ano, enquanto forças de “Israel” seguem acumulando baixas e perdas de equipamentos no sul libanês.
O ministro de assuntos de segurança de “Israel”, conhecido por suas posições extremamente cruéis e agressivas contra o povo palestino, afirmou que as autoridades deveriam “pensar fora da caixa” contra o movimento libanês. A ideia apresentada por ele não se limitou à tomada de território ou ao assassinato de combatentes. Ben-Gvir defendeu que mulheres e jovens libaneses fossem levados para prisões, por considerar que isso atingiria o Hesbolá de maneira mais dolorosa.
A fala explicita uma orientação de punição coletiva contra a população libanesa. A reunião discutia medidas mais agressivas contra o Líbano, país que já sofre ataques sucessivos de “Israel” mesmo depois da trégua mediada pelos EUA. Outros membros do gabinete também defenderam maior escalada. O ministro Yitzhak Wasserlauf pediu aumento de verbas militares, enquanto o ministro de assuntos militares, Israel Katz, apoiou a expansão das operações.
As forças invasoras já sequestraram civis libaneses durante a agressão. O número exato não é conhecido, mas os capturados podem estar entre 1.316 pessoas detidas sob a lei “israelense” de “combatente ilegal”, que também atinge palestinos de Gaza e cidadãos sírios. Essa legislação permite prisões por períodos renováveis e indefinidos sem acusação formal.
Mesmo organizações de direitos humanos ligadas ao próprio imperialismo denunciam há anos esse mecanismo por permitir detenções sem ordem judicial, dificultar o acesso a advogados e esconder informações sobre a situação dos presos. A proposta de Ben-Gvir, portanto, não surge isolada, mas como continuidade de uma política já aplicada por “Israel” contra povos submetidos à sua ofensiva militar.
O ministro da Defesa libanês, Michel Menassa, afirmou que as forças “israelenses” realizaram cerca de 3.500 ataques e centenas de explosões controladas desde o anúncio do cessar-fogo, em 17 de abril. Autoridades libanesas calculam que 1,2 milhão de pessoas foram deslocadas em decorrência das hostilidades. O Ministério da Saúde do Líbano informa que ao menos 3.637 pessoas morreram desde março, incluindo mais de 800 depois do anúncio da trégua.



