Abdul Maliq al-Huti advertiu os Estados Unidos (EUA) sobre as consequências de uma nova escalada regional, em discurso divulgado em Saná, na segunda-feira (18). O líder do Ansar Alá afirmou que seu movimento está preparado para novos acontecimentos militares e declarou que uma nova ofensiva teria efeitos graves para toda a região e até para além dela, ao mesmo tempo em que elogiou as operações do Hesbolá contra a agressão de “Israel” no Líbano.
O pronunciamento foi feito em meio ao agravamento das agressões dos EUA e “Israel” contra Irã, Líbano, Palestina e Iêmen. Al-Huti afirmou que o povo iemenita segue ativo em diferentes frentes, tanto em mobilizações populares quanto em atividades de preparação geral. Segundo ele, no plano militar, o movimento está “pronto para todos os desenvolvimentos”, mantendo posições que disse já terem sido afirmadas na prática.
A advertência aos EUA apareceu no trecho em que o líder do Ansar Alá tratou de possíveis preparativos norte-americanos para nova escalada. Ele afirmou que há sinais de arranjos norte-americanos para uma fase posterior, depois do fracasso da rodada anterior, e lamentou que tais planos busquem se apoiar na exploração de alguns países árabes. Para ele, regimes da região não teriam aprendido com as consequências de hospedar bases norte-americanas usadas em ataques contra o Irã.
Al-Huti também disse que qualquer nova escalada terá consequências sérias para toda a região e poderá repercutir em escala mundial. A declaração dá o tom central do pronunciamento: a denúncia de que os EUA e “Israel” atuam de maneira conjunta para impor seus objetivos no Oriente Médio, enquanto pressionam governos árabes a colaborar com suas ações.
O líder do Ansar Alá afirmou ainda que Washington se apresenta como mediador no Líbano, na Síria e em outros países, mas, segundo sua avaliação, age para retirar obstáculos à consolidação do domínio de “Israel”. Ele relacionou essa atuação ao projeto chamado de “Grande Israel”, que definiu como objetivo declarado entre norte-americanos e “israelenses”.
No mesmo discurso, Al-Huti elogiou o Hesbolá por enfrentar a agressão de “Israel” contra o Líbano. Ele afirmou que os ataques contra o sul libanês atingem todo o país e violam sua soberania. Também declarou que as operações do Hesbolá são eficazes, exercem pressão e impõem perdas ao inimigo “israelense”, acrescentando que as autoridades libanesas deveriam utilizar esse fator para pressionar pela cessação completa da agressão e pela retirada das forças de ocupação.
O pronunciamento também abordou a Palestina. Al-Huti afirmou que Gaza segue submetida a bloqueio, destruição e assassinatos diários, e disse que a entrada de alimentos, remédios e ajuda humanitária continua muito abaixo das necessidades básicas da população. Segundo ele, pressionar a resistência palestina para entregar suas armas serve aos interesses dos EUA e de “Israel”, pois removeria obstáculos ao controle pleno da Palestina.
Ao defender a preparação militar do Ansar Alá, Al-Huti vinculou a posição iemenita a uma leitura mais ampla da conjuntura regional. Para ele, Palestina é a linha avançada de toda a nação islâmica, e a resistência no Líbano impede que “Israel” conquiste ganhos mais amplos na região. A advertência aos EUA, portanto, foi apresentada como alerta de que uma nova guerra regional não ficaria limitada a uma única frente.





