O bairro Pantanal, em Florianópolis, enfrentou falha no abastecimento de água devido a rompimento na rede de distribuição notificado na sexta-feira (17) às 6h11. O fornecimento ficou prejudicado devido a emergências operacionais que afetaram o sistema de abastecimento de água, com restabelecimento gradual previsto a partir das 12 horas do mesmo dia e normalização até as 18 horas do sábado (18).
Ainda mais grave é a situação em Iomerê, município do oeste catarinense, onde o centro da cidade ficou sem abastecimento normal de água por uma semana, desde quarta-feira (14) às 8h40, quando começaram serviços emergenciais corretivos, com previsão de normalização apenas na segunda-feira (18) ao meio-dia, segundo informações divulgadas pela Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan).
Também foi notificado um rompimento na rede de distribuição de água no município de Mafra afetando os bairros Vila Ivete, Passo, Vila das Flores, Solidariedade e Vista Alegre. Segundo a Casan, a causa foram “emergências operacionais que afetaram o sistema de abastecimento de água”, com previsão de retorno até segunda-feira (18).
O caso de Iomerê é particularmente grave porque deixou toda a população do centro da cidade sem fornecimento adequado de água por sete dias. Uma rede de abastecimento bem projetada e mantida adequadamente deve ter redundâncias e sistemas alternativos que permitam o fornecimento mínimo de água mesmo durante manutenções ou reparos de emergência. Deixar o centro da cidade inteiro sem fornecimento normal de água por uma semana é inaceitável.
A Casan, empresa de capital misto, tem natureza híbrida que corrompe seus fins de fornecimento de um serviço essencial para a população. A companhia se torna instrumento de obtenção de renda para investidores, subordinando o fornecimento de água potável ao lucro. O resultado é previsível: investimentos insuficientes em manutenção preventiva, demora na execução de reparos emergenciais e descaso com a qualidade do serviço prestado à população.
Uma companhia de saneamento comprometida com a qualidade do serviço prestado deveria explicar detalhadamente as causas das falhas, apresentar cronograma preciso de reparos e informar que investimentos serão realizados para modernizar a rede e evitar novos episódios, o que não ocorreu no caso.
A existência de capital privado na Casan cria conflito de interesses entre a maximização de lucros para acionistas e o cumprimento adequado da função pública de fornecimento de água. Investimentos em modernização da rede, manutenção preventiva e criação de sistemas redundantes diminuem a rentabilidade no curto prazo, embora sejam essenciais para garantir qualidade e continuidade do serviço.



