A Câmara Municipal de Canoas reuniu representantes de municípios gaúchos para debater a atuação da Corsan, concessionária de saneamento controlada pelo grupo Aegea, em Canoas, na quarta-feira (10), em encontro ligado às Comissões Parlamentares de Inquérito abertas no Estado.
A reunião discutiu falhas no abastecimento de água, cobranças contestadas, obras inacabadas e dificuldades de fiscalização dos contratos. A articulação intermunicipal busca fortalecer investigações locais e reunir provas sobre a prestação do serviço de saneamento.
O encontro foi promovido pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Corsan/Aegea de Canoas e contou com vereadores, presidentes de comissões, instituições de controle e lideranças de municípios como Venâncio Aires, Viamão e Gravataí. A reunião ocorreu como parte de uma ofensiva política para transformar reclamações locais em uma investigação mais ampla sobre a concessionária no Rio Grande do Sul.
Na abertura, o presidente da CPI de Canoas, vereador Eric Douglas (União Brasil), afirmou que os problemas identificados no município também aparecem em outras regiões do Estado. A avaliação foi reforçada pela deputada estadual Stela Farias (PT), que preside a comissão especial da Assembleia Legislativa sobre o tema. Ela informou que já existem mais de 30 CPIs abertas em solo gaúcho relacionadas a reclamações de falta de água, cobranças e atendimento.
Durante o encontro, representantes de diferentes municípios apresentaram diagnósticos semelhantes. Em Venâncio Aires, o presidente do Legislativo, Nelsoir Battisti (PSD), criticou a falta de reservação de água e relatou que a concessionária tem questionado os trabalhos da comissão local. O presidente da CPI municipal, Nilson Lehmen (MDB), defendeu fiscalização minuciosa dos contratos de concessão e levantou dúvidas sobre a legalidade de procedimentos adotados após a privatização.
Em Viamão, o presidente da CPI local, Marco Antônio “Borrega” (PDT), afirmou que as queixas dos moradores se repetem em todo o Estado, citando contas elevadas, obras inacabadas e falhas constantes no abastecimento. Em Gravataí, o vereador Hiago Pacheco (PP) explicou que a comissão da cidade concentra seus trabalhos em três eixos: cobranças abusivas, obras inacabadas e desabastecimento.
Representantes de Canoas também reforçaram a gravidade das reclamações. Os vereadores Neusa Ruffato (PSD), Dário da Silveira (União Brasil) e Emílio Neto (PT) destacaram a importância das oitivas e da escuta direta dos moradores. Emílio Neto afirmou que a CPI foi o último recurso após tentativas frustradas de diálogo com a empresa.
O debate teve ainda participação técnica do Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) de Canoas. O diretor do órgão, Vinícius Rabaioli, afirmou que a Corsan/Aegea lidera o ranking de reclamações no município. Embora o Procon resolva mais de 90% dos casos formais, ele alertou para a existência de demanda reprimida e informou que Canoas articula ações junto à Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon).
A CPI de Canoas encerra nesta quinta-feira (11), às 18h, o ciclo de audiências públicas descentralizadas, com encontro na Liga Canoense de Futebol, no bairro Estância Velha. Moradores foram chamados a apresentar protocolos sem solução, contas com valores fora da média, fotos e vídeos de vazamentos, buracos, obras inacabadas, falta de água e cobrança de taxa de esgoto onde não há rede instalada.
As audiências anteriores já apontaram um padrão de cobranças abusivas, ausência de leitura física de hidrômetros, ameaças de corte e danos na infraestrutura urbana após intervenções da concessionária.


