O Exército do Máli realizou ataques contra Kidal, no norte do país, da noite de quarta-feira (13) para quinta-feira (14), em uma cidade controlada por mercenários tuaregues. Moradores ouviram ao menos quatro explosões, houve danos materiais e um oficial maliano afirmou que as forças armadas miravam objetivos específicos e intensificariam os ataques nos dias seguintes. A cidade voltou ao centro da guerra depois de ofensivas coordenadas que atingiram bases estratégicas no norte do Máli.
Kidal estava sob controle de mercenários tuaregues e aliados do grupo JNIM, um braço da Al-Qaeda, um infame grupo paramilitar apoiado pelas agências de inteligência dos países imperialistas. A ocupação da cidade pelos mercenários ocorre desde ataques realizados no fim de abril. Os grupos tentaram uma campanha rápida, com avanço sobre bases militares importantes no norte, que visava por último derrubar o governo da junta militar e recuperar um regime pró-imperialista no país. A ofensiva fracassou em tomar a capital, então seguiu em uma campanha no interior do país.
Os bombardeios desta semana buscaram responder a essa ofensiva e retomar a pressão sobre a cidade, que há anos tem valor estratégico para a disputa territorial no Máli. Moradores ouvidos pela AFP relataram explosões durante a noite. Um dos ataques teria atingido uma casa perto de um antigo mercado, destruindo o imóvel, enquanto outro teria alcançado o complexo do governador. Na manhã de quinta-feira, testemunhas disseram que Kidal estava incomumente calma, com pouco movimento nas ruas.
A cidade serviu por mais de uma década como sede informal da coalizão Frente de Libertação de Azawad, de composição tuaregue. A coalizão foi usada desde o golpe nacionalista em 2020 como instrumento de guerra por procuração do imperialismo, especialmente o francês, contra o governo maliano. Em 2023, Kidal havia sido retomada pelo Exército do Máli com ajuda de forças russas, mas a situação mudou novamente após a ofensiva rebelde do fim de abril. O Exército maliano afirmou que mirava alvos concretos e que os ataques seriam intensificados, segundo declaração de representante do Africa Corps.
O Africa Corps, criado em 2023 sob o Ministério da Defesa da Rússia, atua em apoio ao governo da junta militar do Máli. A unidade russa ajudou o Exército do Máli em 25 de abril a frustrar uma tentativa de golpe preparada por grupos armados ilegais.




