O Índice FipeZap registrou alta de 1,04% no preço do aluguel residencial no Brasil, em levantamento divulgado na quinta-feira (14), com a maior elevação mensal desde abril de 2025. O avanço superou a inflação ao consumidor de abril, medida pelo IPCA em 0,67%, e também ficou acima da valorização dos imóveis residenciais à venda, de 0,51%. A nova alta confirma que o custo da moradia alugada voltou a pressionar o orçamento das famílias em ritmo mais forte que outros preços da economia.
O aumento de abril veio depois de uma alta de 0,84% em março, mostrando aceleração no mercado de locação. De acordo com o levantamento, 30 das 36 cidades acompanhadas tiveram reajuste positivo no mês. Entre as capitais, Aracaju liderou com alta de 3,93%, seguida por Teresina, com 2,14%, Campo Grande, com 2,00%, Brasília, com 1,99%, João Pessoa, com 1,91%, Fortaleza, com 1,54%, Rio de Janeiro, com 1,51%, Belo Horizonte, com 1,37%, Manaus, com 1,31%, e São Paulo, com 0,90%.
A pressão não ficou concentrada nos grandes centros tradicionalmente mais caros. Nordeste, Centro-Oeste e Norte aparecem entre as regiões de maior aceleração, o que indica disputa mais ampla por imóveis disponíveis. No mês, também houve capitais com alta igual ou inferior à inflação, como Curitiba, Maceió, Florianópolis, Goiânia, Recife, Salvador e Porto Alegre. As quedas foram registradas em Natal, Vitória, São Luís, Belém e Cuiabá. Mesmo assim, o quadro geral é de predomínio de reajustes, com o aluguel avançando mais rapidamente que os salários de grande parte dos trabalhadores.
No acumulado de janeiro a abril, os alugueis subiram 3,51%, acima do IPCA de 2,60% e do IGP-M de 2,93%. Em 12 meses, a alta chegou a 8,40%, praticamente o dobro da inflação oficial no mesmo período, de 4,39%. Entre as capitais, Manaus acumulou alta de 11,56% no ano, Campo Grande subiu 11,30% e Aracaju avançou 11,26%. Já São Paulo, embora não lidere as altas percentuais, segue como a capital com aluguel médio mais caro, a R$ 64,20 por metro quadrado.
O levantamento mostra ainda que apartamentos de três dormitórios tiveram a maior alta mensal, de 1,14%, mas as unidades de um dormitório continuam mais caras por metro quadrado, com média de R$ 70,70. A permanência de juros elevados dificulta o financiamento da casa própria e empurra famílias para o aluguel, aumentando a procura em um mercado com oferta limitada. Para investidores, a rentabilidade média anual da locação ficou em 6,08%, abaixo do rendimento projetado para aplicações financeiras de referência, o que mostra que o problema central não é apenas de investimento, mas de acesso à moradia.



