O ex-chefe da Segurança Geral libanesa Jamil el-Sayyed criticou duramente as negociações diretas em curso entre o Líbano e o Estado “Israel” em Washington, nos Estados Unidos, alertando que o país árabe está sendo empurrado para um processo de normalização com a entidade sionista.
“Hoje, negociações diretas estão ocorrendo entre o Líbano e Israel em Washington, e nosso Estado as vê como um passo em direção à paz”, escreveu El Sayyed no X na quinta-feira (14), antes de questionar: “Então, quais são os modelos israelenses de ‘paz’ adotados até agora?!”
Suas observações surgiram enquanto os Estados Unidos sediam dois dias de conversas intensivas entre Líbano e “Israel” em 14 e 15 de maio, nas quais será tratada o desarmamento do Hesbolá. Os encontros ocorrem em meio a contínuos ataques aéreos, demolições e incursões israelenses no sul do Líbano, apesar do cessar-fogo. Integrantes do regime político e da Resistência libanesa acusam “Israel” de usar a pressão militar e a destruição para forçar concessões políticas por meio do traidor governo libanês.
Em sua publicação, el-Sayyed argumentou que cada grande acordo árabe de normalização ou “paz” com “Israel” produziu, em última análise, fraqueza, dependência ou perda territorial para o lado árabe, em vez de soberania e estabilidade.
Ele também criticou a Autoridade Palestina, apontando que a coordenação de repressão com “Israel” sob Mahmoud Abbas deixou os palestinos com “nada… exceto alguns bairros na Cisjordânia”, enquanto a expansão dos assentamentos e incursões militares continuaram.
El-Sayyed criticou os tratados de normalização de Egito e Jordânia, afirmando que os países se tornaram vulneráveis a chantagens econômicas e políticas “através de dívidas e empréstimos entregues gota a gota”. Por fim, criticou os ataques repetidos em território sírio.
O ex-chefe de segurança reservou suas críticas mais duras para o sistema político libanês, descrevendo o país como “o estado mais falido, o sistema mais corrupto, os governantes mais submissos… e a sociedade mais perigosamente fragmentada”.
“Como pode o Líbano… imaginar que é capaz de negociações diretas através das quais possa ganhar qualquer coisa de Israel?” — Jamil el-Sayyed.
Ele concluiu alertando que as negociações não podem prosperar entre “um lado israelense poderoso e arrogante” e uma autoridade libanesa “que teme por sua própria sobrevivência”.





