Temporais deixaram milhares de imóveis sem energia no Paraná e em Mato Grosso do Sul no fim de semana do Dia das Mães, entre sábado (9) e domingo (10). Em Curitiba, a Companhia Paranaense de Energia (Copel) registrava milhares de unidades desligadas; em Campo Grande, moradores relataram mais de 24 horas sem luz em bairros como Guanandi, Novos Estados e Monte Castelo. Segundo a companhia de energia, a chuva e o vento foram a causa, mas a duração dos apagões expôs a falta de solução concreta das concessionárias e do poder público.
No Paraná, a Copel informou que, às 21h30 de sábado, havia 31.426 unidades consumidoras sem energia no estado, sendo 4.465 em Curitiba. No domingo pela manhã, a companhia ainda registrava 13,4 mil unidades desligadas no Paraná, com 3.217 em Curitiba. Apesar de tentar exibir esses números como resultado positivo, no domingo de manhã, o problema já estava sem solução há mais de 12 horas, o que viria a perdurar mais um dia inteiro.
A empresa afirmou que equipes estavam mobilizadas e que os serviços eram “dinâmicos”, mas essa resposta padrão não oferece prazo claro nem garantia de solução para quem ficou no escuro. Quando a falta de luz se repete diante de temporais previsíveis, o problema deixa de ser apenas climático e passa a revelar falhas de manutenção, planejamento e resposta. A concessionária e as prefeituras precisam explicar por que redes, árvores, postes e equipes não estavam preparados para evitar um apagão dessa escala.
Em Campo Grande, moradores relataram mais uma situação de total negligência da prefeitura e da companhia de energia. No Guanandi, havia relatos de falta de energia desde as 11h de sábado, atravessando o Dia das Mães. Um morador, ouvido pelo jornal Midiamax, afirmou que a fiação do bairro é antiga e que o problema se repete. Segundo ele, a família tentou contato várias vezes, mas recebeu respostas automáticas e não viu uma visita efetiva da concessionária para resolver o caso.
No Parque dos Novos Estados, uma mãe de bebê pequeno relatou estar sem energia desde as 17h de sábado, em meio à madrugada mais fria do ano na capital sul-mato-grossense, com sensação térmica negativa registrada pelo Inmet. Sem luz, a família ficou sem banho quente e passou a noite no escuro. No Monte Castelo, outra moradora informou que medicamentos guardados em geladeira corriam risco de estragar após mais de 16 horas sem eletricidade.
As concessionárias costumam atribuir apagões a galhos, ventos, descargas e chuvas, mas a repetição desses eventos mostra que o serviço falha justamente quando deveria ter um sistema mais resistente com um plano prevenção de quedas, mesmo em situações climáticas adversas. A prefeitura, responsável por políticas de prevenção, drenagem, defesa civil e fiscalização urbana, também não pode se esconder atrás do temporal. O simples fato de milhares de famílias passarem o Dia das Mães no escuro, sem prazo confiável de retorno, já prova que a resposta das empresas privatizadas e, em última instância, do próprio poder público foi insuficiente.





