As fortes chuvas que atingem Pernambuco e Paraíba desde sexta-feira (1º) deixaram seis mortos e mais de três mil pessoas desabrigadas ou desalojadas nos dois Estados, segundo boletins oficiais e informações publicadas pela imprensa. Em Pernambuco, quatro pessoas morreram em deslizamentos de barreiras. Na Paraíba, duas mortes foram registradas em Guarabira, no Brejo paraibano, embora a Polícia Civil alegue que elas não teriam relação direta com as chuvas.
Em Pernambuco, as quatro vítimas morreram na sexta-feira. No bairro de Dois Unidos, na zona norte do Recife, uma mulher de 24 anos e o filho dela foram soterrados após o deslizamento de uma barreira. No Alto da Bondade, no bairro de Passarinho, em Olinda, outra mulher e o bebê dela, de apenas seis meses, também morreram após um deslizamento. Outras cinco pessoas ficaram feridas, segundo o Brasil de Fato.
Os números de desabrigados e desalojados variam conforme o boletim e o horário da divulgação. O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) informou 1.253 pessoas desalojadas e 251 desabrigadas em Pernambuco. Em outro levantamento, a Defesa Civil estadual contabilizou 422 desabrigados e 1.068 desalojados, além de 342 pessoas resgatadas, segundo a Agência Brasil.
As regiões mais atingidas em Pernambuco foram a Região Metropolitana do Recife e a Zona da Mata Norte. A situação foi mais grave nos municípios de Recife, Olinda, Paulista, Goiana e Timbaúba.
Os volumes de chuva registrados em 24 horas mostram a gravidade da situação. Até o boletim das 12 horas de sexta-feira, Goiana havia registrado 181 milímetros; Abreu e Lima, 144,8 milímetros; Paulista, 142,9 milímetros; Igarassu, 140,5 milímetros; Condado, 129,6 milímetros; Itaquitinga, 120,8 milímetros; e Itambé, 117,6 milímetros. No Recife, foram 180 milímetros em 48 horas.
A governadora Raquel Lyra (PSD) sobrevoou as localidades afetadas na sexta-feira. A Defesa Civil emitiu alertas de nível severo por celular para moradores de Recife, Paulista, Jaboatão dos Guararapes, Goiana e Olinda.
Na Paraíba, as duas mortes registradas ocorreram em Guarabira. Dois homens trabalhavam na organização de uma corrida do Dia do Trabalho e não resistiram após receberem descargas elétricas.
O governador Lucas Ribeiro (PP) anunciou na sexta-feira a edição de um decreto de calamidade pública após percorrer os municípios de Pilar, Itabaiana, Mogeiro, Ingá e São José dos Ramos. Segundo dados preliminares da Defesa Civil estadual, 1.500 famílias foram desalojadas, 300 pessoas ficaram desabrigadas e cerca de nove mil foram afetadas.
Na Paraíba, os danos se concentram em Conde, João Pessoa, Bayeux, Campina Grande, Patos, Sousa, Cajazeiras e Cabedelo. A situação mais crítica foi registrada nos municípios de Ingá, Itabaiana, Mogeiro, Pilar e Salgado de São Félix.
Alguns municípios registraram volumes de chuva considerados recordes. Alhandra teve 191 milímetros; Pilar, 170 milímetros; São José dos Ramos, 128 milímetros; e Mogeiro, 117 milímetros. Em algumas dessas cidades, os índices superaram marcas observadas nos últimos 30 anos.
As chuvas também comprometeram trechos de rodovias estaduais paraibanas. Entre os pontos afetados estão a PB-032, na região de Pedras de Fogo; a PB-054, no acesso entre Itabaiana e a BR-230, onde houve rompimento no encontro da ponte; e a PB-066, no trecho urbano de Ingá, onde uma estrutura de ponte também se rompeu, interrompendo a ligação entre Itabaiana e Mogeiro. Mais de 60 bombeiros atuam nas localidades, com posto de comando instalado em Itabaiana, segundo o Repórter PB.
O governo federal informou que a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec), vinculada ao MIDR, mantém quatro integrantes no Recife para coordenar ações com o governo estadual. O Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cenad) emitiu 22 alertas durante o período crítico das chuvas e elevou o nível operacional para Alerta Máximo.
Materiais de ajuda humanitária já foram entregues ao município de Goiana. Ao todo, foram enviados 150 colchões, 300 lençóis e 38 kits de limpeza.





