Oriente Médio

‘Israel’ mata e machuca dezenas com 70 bombardeios no Líbano

Bombardeios atingiram Nabatieh, Tiro, Bint Jbeil e outras localidades; Hesbolá respondeu com ataques contra tropas e blindados israelenses

“Israel” realizou, nesta quinta-feira (30), mais de 70 bombardeios contra o sul do Líbano, atingindo áreas dos distritos de Nabatieh, Tiro e Bint Jbeil. Os ataques, feitos com aviões, VANTs e artilharia, deixaram dezenas de mortos e feridos, além de destruir casas, estradas e instalações civis.

Segundo o Centro de Operações de Emergência do Ministério da Saúde Pública do Líbano, o número acumulado de vítimas dos ataques israelenses entre 2 de março e 30 de abril chegou a 2.586 mortos e 8.020 feridos.

A ofensiva desta quinta-feira atingiu localidades inteiras durante todo o dia. Em Toul, no distrito de Nabatieh, um ataque israelense matou quatro pessoas, entre elas três mulheres, e feriu outras 13, incluindo crianças e mulheres. Em Jibchit, também em Nabatieh, quatro pessoas foram assassinadas, entre elas duas crianças e uma mulher, e nove ficaram feridas.

Em Zebdine, seis pessoas foram assassinadas quando um VANT atingiu uma reunião de pessoas perto de um cemitério. Em Kfarreman, outro ataque matou um soldado libanês e integrantes de sua família dentro de sua casa. Em Qalaouiyeh, no distrito de Bint Jbeil, um ataque de VANT contra um carro matou uma pessoa.

Os ataques também atingiram áreas civis e infraestrutura. Em Nabatieh al-Fawqa, um bombardeio próximo ao cruzamento do Hospital Ghandour causou graves danos nas imediações. Outro ataque destruiu um prédio residencial da família Mgharbal, também na região, ampliando a destruição perto do hospital.

Outras localidades atingidas foram Shaabiyeh, Bazouriyeh, Burj al-Shamali, Arzoun, Mansouri, Srifa, Houmine al-Fawqa, Frun, Abba, Arabsalim, Kherbet Selm, Baraachit, Haris, Kafra, Majdal Zoun, al-Sultaniyah, al-Samaiya, Buyut al-Siyyad, Yuhmor al-Shaqif, Zawtar al-Sharqiya, Mayfadoun e Kawnin.

Em algumas áreas, os mísseis não explodiram ao atingir o solo. Ainda assim, os bombardeios provocaram destruição em residências, estradas, um clube esportivo em Kherbet Selm e outras instalações civis.

A agressão israelense foi acompanhada de novas ordens de evacuação contra dezenas de povoados ao sul do rio Litani. Entre as localidades ameaçadas estavam Jibchit, Toul, Habboush, Harouf, Kfarjouz, Nabatieh al-Fawqa, Abba, Adshit al-Shaqif, Arabsalim, Houmine al-Fawqa, Majadel, Arzoun, Dounin, Hmeiri e Maaroub.

As ameaças provocaram nova onda de deslocamento de milhares de pessoas em direção a Beirute. Em Marjayoun, moradores de Ain Arab receberam ordem para deixar a cidade em duas horas, depois que uma patrulha do exército israelense invadiu a localidade.

No mesmo dia, as forças israelenses também realizaram demolições em al-Khiam e al-Bayyada. Novas ameaças de evacuação foram emitidas contra moradores de al-Samaiya, al-Hinniyyeh, al-Qlaileh, Wadi Jilou, al-Knaiseh, Kafra, Majdal Zoun e Siddiqin. Mais tarde, al-Knaiseh também foi bombardeada.

Além dos ataques no sul do Líbano, o Ministério da Saúde de “Israel” informou que 8.549 feridos foram registrados em hospitais desde o início da Operação Leão Rugidor, nome dado pela ocupação à agressão lançada contra o Líbano e o Irã em 28 de fevereiro. Só na quinta-feira, o ministério israelense registrou 36 feridos.

De acordo com os dados israelenses, 648 feridos foram registrados em hospitais de “Israel” a partir da frente norte após o cessar-fogo com o Irã. O mesmo ministério informou ainda 230 feridos após o cessar-fogo com o Líbano, indicando que a frente libanesa continua impondo perdas ao aparato militar israelense.

A resistência libanesa respondeu aos ataques. O Hesbolá realizou uma série de operações contra forças, veículos e equipamentos militares israelenses no sul do Líbano e na região da fronteira.

Às 8h45, o partido informou ter atingido uma peça de artilharia autopropulsada israelense de 155 mm ao sul de Yaroun com um VANT FPV de ataque. Às 10 horas, atacou dois tanques Merkava em Bint Jbeil. Às 10h30, derrubou um VANT de reconhecimento Hermes 450-Zik sobre Nabatieh com um míssil terra-ar, fato admitido pelas forças israelenses.

Ainda na manhã de quinta-feira, o Hesbolá informou ter atingido outros dois tanques Merkava em al-Qantara. Às 13h30, uma concentração de tropas israelenses no posto recém-instalado de Blat foi atacada com um enxame de VANTs. Às 14 horas, outra concentração de soldados israelenses foi atingida em Chamaa.

Às 16h20, a resistência atacou uma concentração de soldados em Meis al-Jabal. Dez minutos depois, atingiu tropas israelenses em al-Taybeh. Às 17h30, em resposta aos ataques contra civis libaneses, o Hesbolá atingiu um veículo Humvee israelense em al-Bayyada. Às 18h30, outra concentração de soldados israelenses em al-Qantara foi atacada.

As próprias forças israelenses admitiram a morte de um soldado da Brigada Golani e o ferimento de vários outros em uma operação com VANT explosivo no sul do Líbano. Segundo o jornal israelense Maariv, além do soldado morto, 15 militares ficaram feridos em diversas operações do Hesbolá no mesmo dia.

O Canal 15 de “Israel” informou que dois soldados foram feridos por um VANT explosivo do Hesbolá no eixo de Bint Jbeil, um deles em estado grave. “Estamos diante de uma série contínua de incidentes nos quais o Hesbolá está conseguindo, gradualmente, nos causar danos no sul do Líbano”, afirmou a emissora.

O Canal 13 citou o ex-vice-comandante do Comando Norte, que descreveu a situação como “uma guerra real” e, em termos militares, “uma guerra de atrito”. Comentadores israelenses classificaram o dia como “outro dia difícil na frente norte”.

Mais cedo, a imprensa israelense informou que 12 soldados ficaram feridos após a explosão de um VANT na colônia de Shomera, no oeste da Galileia. O VANT atingiu um veículo blindado, provocou incêndio e causou explosões secundárias de munições no local. As forças israelenses investigam se o equipamento foi guiado por cabo de fibra óptica, o que tornaria a operação a primeira desse tipo além da fronteira.

A Rádio do Exército israelense informou que dois soldados ficaram moderadamente feridos e 10 sofreram ferimentos leves. Outros militares poderiam ser levados ao hospital por ansiedade e zumbido nos ouvidos. Uma imagem divulgada por veículos israelenses mostrava o veículo militar tomado pelas chamas.

O jornal Maariv descreveu o ataque como preciso: “o Hesbolá realizou com sucesso um ataque preciso contra uma bateria de artilharia dentro do território israelense, causando danos significativos. Doze soldados ficaram feridos, dois deles moderadamente. O Hesbolá direcionou um VANT explosivo contra um veículo conhecido como ‘Alpha’, que carrega os projéteis de artilharia da bateria. O impacto provocou explosões secundárias que intensificaram os danos à unidade. Um incêndio começou no local, que as equipes de combate ao fogo depois controlaram. Soldados da Brigada Hasmoneana ajudaram no tratamento e na evacuação dos feridos”.

A escalada militar ocorre no mesmo momento em que o Líbano enfrenta uma crise social agravada pela agressão israelense apoiada pelos Estados Unidos. Um relatório conjunto do Programa Mundial de Alimentos, da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura e do Ministério da Agricultura do Líbano, divulgado em 29 de abril, apontou que mais de 1,2 milhão de pessoas no país poderão enfrentar fome aguda entre abril e agosto de 2026.

O levantamento indica que cerca de um em cada quatro habitantes do Líbano ficará em fase de “crise” de insegurança alimentar ou pior. Entre novembro e março, 874 mil pessoas, cerca de 17% da população do país, já se encontravam nessa situação. O agravamento acompanha o deslocamento de mais de um milhão de pessoas pela campanha israelense de destruição de infraestrutura civil.

Mesmo diante das declarações do primeiro-ministro israelense, Netaniahu, de que haveria uma “resposta forte” às operações da resistência, fontes militares citadas pelo jornal Israel Hayom afirmaram que os ataques israelenses no sul do Líbano permanecem limitados por regras já estabelecidas, em geral restritos a áreas não povoadas e sem mudança nas ordens militares.

Essas limitações foram aproveitadas pelo Hesbolá para manter pressão sobre as forças invasoras dentro da chamada “Linha Amarela”. A situação aprofunda a crise interna do exército israelense, que, segundo relatos da própria imprensa de “Israel”, enfrenta falta de efetivo, desgaste das forças de reserva e dificuldades para sustentar operações em várias frentes.

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