A deputada Zarah Sultana do partido Your Party, há duas semanas, foi expulsa da Câmara dos Comuns do Reino Unido após acusar o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, de mentir durante uma declaração sobre a nomeação de Lord Peter Mandelson como embaixador dos EUA. “Mentiroso descarado”, disse a deputada.
Zarah Sultana foi “nomeada” pelo presidente da Câmara e posteriormente suspensa do Parlamento após se recusar a sair após criticar Starmer. Conforme a BBC, a moção contra a deputada a proibiu de entrar na Câmara e nas imediações e ficará sem salário por cinco dias.
Starmer foi acusado de saber que Lord Mandelson havia sido inicialmente reprovado na verificação de segurança para o cargo de embaixador dos Estados Unidos. Mandelson teria sido demitido do cargo de embaixador dos EUA devido aos seus laços com o falecido criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein.
O primeiro-ministro britânico, por sua vez, negou ter enganado o Parlamento quando afirmou à Câmara dos Comuns que o “devido processo legal completo” havia sido seguido durante a nomeação de Lord Mandelson.
Segundo a BBC, Starmer afirmou que, embora as informações coletadas durante o processo de verificação não devam ser divulgadas, não havia motivo para que a recomendação geral da verificação não pudesse ter sido compartilhada com ele.
Outro deputado, Lee Anderson, de Ashfield, também foi obrigado a se retirar pelo presidente da Câmara dos Comuns após se recusar a retratar seu comentário de que Starmer “estava mentindo”.
A situação contra os deputados foi possível porque as regras da Câmara dos Comuns proíbem estritamente que os membros do Parlamento acusem uns aos outros de mentir ou de induzir deliberadamente ao erro.
A imunidade parlamentar protege Sultana de ser processada pelo que disse na Câmara, mas violar a ordem fora da Câmara dos Comuns pode ser considerado desacato ao tribunal, sujeito a uma pena máxima de dois anos de prisão.
A situação expõe claramente a ditadura que é o governo do Reino Unido. Simplesmente chamar o primeiro-ministro de ministro de mentiroso é considerado crime e leva à suspensão direta de um deputado eleito pela população.





