Refugiados do Máli relataram ataques e atrocidades na fronteira com a Mauritânia em entrevista à Al Jazeera publicada nesta quarta-feira (29), enquanto grupos armados e forças do governo seguem em conflito no interior do país. A crise ocorre depois de ofensivas coordenadas do JNIM e da FLA, grupos mercenários ligados ao imperialismo, do assassinato do ministro da Defesa, Sadio Camara, e da tentativa de desestabilização do governo de transição apoiado pela Rússia.
A operação imperialista no Máli continua produzindo violência no interior do país, especialmente nas áreas rurais e nas regiões de fronteira. A Al Jazeera ouviu refugiados malianos em Douankara, na Mauritânia, que relataram ter fugido após meses de ataques de grupos armados. Um morador de 75 anos, identificado como Moctar, contou que homens armados chegaram em cerca de 30 motocicletas e deram 72 horas para que sua comunidade deixasse o vilarejo.
Segundo a reportagem, milhares de malianos fugiram para Douankara e arredores, vivendo em tendas improvisadas e multiplicando a população local. O Máli está no centro da violência que atinge o Sael, região que concentra cerca de metade das mortes relacionadas a grupos armados no mundo, segundo dados citados da ACLED. A reportagem menciona que o Exército maliano e combatentes russos aliados enfrentam organizações ligadas à Al-Qaeda e ao Estado Islâmico, que controlam porções de áreas rurais.
Conforme já trazido anteriormente por este Diário, durante quase uma década, a França manteve tropas no Máli sob o pretexto de combater o “terrorismo”, mas o resultado foi a expansão dos grupos armados e a perda de controle do Estado sobre grandes áreas. A presença francesa passou a ser vista por setores crescentes da população como uma ocupação colonial disfarçada, até que os militares romperam com a França e se aproximaram da Rússia.
No fim de semana de 25 de abril, uma ofensiva coordenada atingiu várias regiões do Máli, incluindo Bamaco e Kati. O ministro da Defesa, general Sadio Camara, foi assassinado após ataque com veículo carregado de explosivos contra sua casa. O JNIM, ligado à Al-Qaeda, e a Frente de Libertação do Azawad, organização separatista tuaregue, atuaram de forma coordenada.
A Rússia, por meio do Africa Corps, ajudou as forças malianas a resistir à ofensiva golpista pró-imperialista. O Ministério da Defesa russo disse que mais de 2,5 mil combatentes ligados ao JNIM e à FLA foram mortos durante a crise, embora os rebeldes tenham obtido êxito em controlar a cidade de Kidal.
O objetivo evidente dos grupos armados era derrubar o governo de transição de Assimi Goïta, mas a queda não ocorreu. Os ataques reforçaram a integração entre Máli, Burquina Fasso, Níger e Rússia no interior da Aliança dos Estados do Sael.


