Na última quarta-feira (15), a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), em conjunto com o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), divulgou os dados de inadimplência da população brasileira referentes ao mês de março. Atualmente, 74,31 milhões de brasileiros estão com contas em atraso, volume que representa 44,42% da população adulta do país.
De acordo com o levantamento, a maior concentração de devedores está na faixa de 30 a 39 anos, somando 18,12 milhões de pessoas. Esse dado indica que mais da metade (53,45%) da população nessa faixa etária está negativada. A divisão por gênero é equilibrada, com leve predominância feminina (51,40%).
A variação anual observada em março deste ano ficou abaixo da registrada no mês anterior. Na passagem de fevereiro para março, o número de devedores cresceu 0,92%. O crescimento do indicador anual concentrou-se no aumento de inclusões de devedores com tempo de inadimplência entre 4 e 5 anos (36,54%).
Os dados mostram também que, em março de 2026, cada inadimplente devia, em média, R$ 5.044,65. Além disso, cada devedor possui dívidas com cerca de 2,31 empresas credoras.
-
Até R$ 500: 29,79% dos consumidores.
-
Até R$ 1.000: 42,23% dos consumidores.
O setor bancário continua sendo o principal credor, concentrando 66,39% do total das dívidas. Na sequência, aparecem os setores de Água e Luz (10,63%), Outros (9,08%) e Comércio (8,49%).
Segundo a CNDL, o Norte apresentou a alta mais expressiva no número de inadimplentes na comparação anual (9,73%). No entanto, em termos proporcionais, o Centro-Oeste detém o maior percentual de negativados, com 47,99% de sua população adulta nos cadastros de devedores. Em contrapartida, a região Sul apresenta a menor proporção, com 40,18%.
“Quando uma parcela significativa da população sai do mercado de consumo e perde o acesso ao crédito, interrompemos o ciclo de circulação de capital”, afirmou José César da Costa, presidente da CNDL. “Sem medidas robustas de socorro e renegociação, corremos o risco de uma estagnação prolongada nas vendas do varejo e de serviços.”
Os dados do endividamento recorde do povo brasileiro contrastam com as estatísticas do governo de que o PIB está crescendo e o desemprego diminuindo. A população segue endividada e com salários insuficientes. Esse descompasso entre os indicadores oficiais e a realidade financeira das famílias é um dos motivos pelos quais as pessoas, sem perspectiva de futuro, acabam buscando alternativas em discursos de extrema-direita.



