O banco BTG Pactual protocolou uma petição no processo de recuperação judicial da Avibras no sábado (11), buscando meios para que seu crédito seja pago. O banco trava guerra judicial contra o fundo Brasil Crédito gerido por empresa associada a Joesley Batista na recuperação judicial da Avibras, em processo desde março de 2022, ao buscar 40 milhões de reais em dívidas e acusar o fundo de opacidade e manobras na reestruturação da empresa bélica que produz mísseis para o Exército e a Força Aérea. O BTG questiona transferências de bens e pede nulidade de operações enquanto o fundo aprova plano com capitalização de 2,5 bilhões de reais e apoio de Joesley Batista.
A Avibras enfrenta recuperação judicial com dívidas iniciais de 394 milhões de reais, além de enfrentar greve trabalhista encerrada em acordo de pagamento de 230 milhões de reais a 1.400 ex-empregados. O fundo Brasil Crédito tornou-se principal credor após comprar crédito de 93 milhões de reais e captar 300 milhões de reais com investidores privados incluindo Joesley Batista que se reuniu duas vezes com a direção. O plano de reestruturação prevê nova empresa capitalizada com bens da recuperanda e retoma da produção em maio. O BTG empenhou advogados para questionar transparência do fundo e preservar garantias em alienação fiduciária.
Diante dessa situação, é necessário que os interesses nacionais e trabalhistas dos trabalhadores da Avibras sejam postos acima dos interesses empresariais. A Avibras precisa funcionar para atender estrategicamente às demandas dos seus trabalhadores e das Forças Armadas. O pagamento de um banco é algo secundário que deve ser feito com os recursos que sobrarem na recuperação seguindo o plano de repactuamento de dívidas aprovado pela maioria dos credores. Os créditos quirografários ou mesmo com garantia real do BTG Pactual devem ser pagos somente depois dos créditos trabalhistas com os recursos que sobrarem após a garantia dos interesses estratégicos do país.



