Driss Mrani

Fundador e presidente do Movimento Progressista Marroquino, que visa promover princípios progressistas no Marrocos derrubando a monarquia totalitária que serve ao imperialismo e, então, estabelecer uma república democrática na qual todos os segmentos do povo marroquino participem sem descriminação

Coluna

Quem entrega opositores ao regime marroquino é cúmplice da repressão

“É urgente que os setores democráticos, movimentos sociais e todos os defensores da liberdade se levantem para denunciar esse crime político”

A sentença de cinco anos de prisão contra o militante opositor marroquino Mohamed Hicham Benwahoud, emitida pelo tribunal de Ain Sebaa, em Casablanca, não é um caso isolado — é mais uma prova da repressão sistemática exercida pelo regime marroquino contra vozes dissidentes. Trata-se de uma condenação política, marcada por graves violações: Hicham foi impedido de ter advogado no momento da assinatura do seu depoimento, um atentado direto contra qualquer noção de justiça.

Militante do Movimento dos Republicanos Marroquinos — organização registrada na Itália e liderada por Belkazize Tachfine —, Hicham sempre esteve na linha de frente da luta contra a monarquia e pela construção de uma alternativa democrática e republicana. Sua trajetória de militância o tornou alvo direto da repressão.

Nas masmorras do regime, a situação é ainda mais brutal. O militante enfrenta condições desumanas, sem acesso adequado a alimento e água, dividido em alas com outros presos políticos como Adel Al-Baddahi, em um cenário de abandono e punição deliberada. Não se trata de negligência — é repressão consciente.

Hicham Benwahoud não é apenas mais um nome. Ele é um lutador conhecido, companheiro e amigo de longa data de Driss Mrani, presidente do Movimento Progressista Marroquino no Brasil. Sua perseguição é também um recado a todos aqueles que ousam organizar, denunciar e resistir. Tanto Driss Mrani quanto Belkazize Tachfine estão acompanhando o caso de perto, mobilizando esforços para denunciar essa injustiça e dar visibilidade internacional à situação.

Este caso escancara uma verdade que muitos preferem ignorar: é isso que acontece quando opositores são entregues a ditaduras como o regime marroquino. Prisões arbitrárias, julgamentos manipulados e condições carcerárias degradantes fazem parte de um sistema que busca esmagar qualquer esperança de mudança.

Diante disso, o silêncio é cumplicidade. É urgente que os setores democráticos, movimentos sociais e todos os defensores da liberdade se levantem para denunciar esse crime político, exigir a libertação de Hicham Benwahoud e reforçar a solidariedade internacional contra a repressão.

Para agravar ainda mais a situação, Driss Mrani publicou um vídeo em seu canal no YouTube denunciando o silêncio da Associação Marroquina de Direitos Humanos, que até o momento se recusa a se posicionar sobre o caso. Em sua fala, ele criticou duramente a postura da entidade, chegando a classificá-la como covarde por não defender Hicham Benwahoud apenas por sua posição republicana, evidenciando as contradições e limites de setores que dizem defender direitos, mas se calam diante da perseguição política.

* A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião deste Diário

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