Moradores do bairro Buritis, na Região Oeste de Belo Horizonte, permanecem sem abastecimento de água desde o domingo, 29 de março. A Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) havia informado que realizaria parada programada no Sistema Produtor Rio Manso, mas o serviço não foi restabelecido até ontem.
Um vídeo enviado à imprensa mostra uma torneira completamente seca em prédio de três andares na rua Doutor Célio Andrade. Um morador relatou que a comunicação previa retorno no mesmo dia ou, no máximo, na manhã de segunda-feira, 30. Até as 11 horas da terça-feira, nenhuma gota de água saía das torneiras.
O orçamento de Belo Horizonte e de Minas Gerais destina percentual mínimo para manutenção e expansão do sistema de saneamento. O caso do Buritis não é isolado. Moradores de outros bairros de Belo Horizonte já relataram interrupções semelhantes em períodos recentes. A falta de investimento preventivo transforma manutenções programadas em crises prolongadas que afetam milhares de famílias. Trabalhadores e famílias do Buritis enfrentam dificuldades para higiene, preparo de alimentos e rotina diária.
Esse problema com o fornecimento de água evidencia a fragilidade do sistema de abastecimento de Belo Horizonte. Uma parcela muito pequena do orçamento público é destinada à prevenção de falhas e desastres. A maior fatia do orçamento público, na distribuição federativa, vai para a União, que, por sua vez, tem como maior gasto a dívida pública. Esse mecanismo transfere recursos do Estado e dos trabalhadores para os bancos. Desse modo, a infraestrutura de saneamento mantém-se sem investimentos suficientes em manutenção e modernização, tornando-a suscetível a falhas graves como essa.





