O Partido da Causa Operária (PCO) realiza nesta terça-feira (31), às 18 horas, um ato em memória dos mártires da Ditadura Militar, no Centro Cultural Benjamin Péret (CCBP), na Rua Conselheiro Crispiniano, 73, na República, região central de São Paulo. A atividade foi convocada para homenagear os militantes, operários, estudantes, camponeses, jornalistas e dirigentes populares assassinados pelo regime instaurado pelo golpe militar de 1964.
Marcado para a data em que se recorda a quartelada que abriu mais de duas décadas de ditadura no País, o ato retoma uma tradição da esquerda e do movimento operário de transformar o fim de março em um momento de denúncia dos crimes do regime e de homenagem aos combatentes assassinados pela repressão. A atividade deverá lembrar nomes como Carlos Marighella, Carlos Lamarca, Alexandre Vannucchi Leme, Ana Kucinski, Pedro Pomar, Osvaldão, Santo Dias, Margarida Maria Alves e Luiz Eduardo Merlino, entre outros lutadores atingidos pelo aparato repressivo.
A convocação do Partido destaca a história desses mártires e a caracterização da ditadura como um regime de perseguição política, censura, tortura, sequestros e assassinatos, organizado em defesa dos interesses do imperialismo e contra o povo brasileiro. Ao mesmo tempo, o ato busca destacar que o golpe militar esteve ligado a uma política de ataque às organizações operárias e populares e de entrega do patrimônio nacional ao estrangeiro.
Ao longo de décadas, os atos realizados nesse período do ano serviram para recordar os principais crimes da ditadura militar. A repressão atingiu centenas de militantes e teve como alvo não apenas organizações políticas clandestinas, mas também o movimento operário, o movimento estudantil, os trabalhadores do campo, intelectuais e jornalistas.
O Partido também procura relacionar a homenagem aos mártires com a situação política atual. Segundo a convocação, o fim formal da ditadura, em 1985, não eliminou a influência das Forças Armadas sobre o Estado brasileiro. Nas décadas seguintes, os militares continuaram intervindo na vida política nacional e mantiveram peso em momentos decisivos da crise do regime. Nesse quadro, o PCO chama atenção para episódios como o golpe de 2016 e a prisão de Lula em 2018 sob ameaça aberta do Alto Comando do Exército, apontando a continuidade da tutela militar sobre a situação política nacional.
A atividade desta terça-feira, nesse sentido, serve para denunciar que o regime estabelecido pela ditadura ainda existe. A impunidade dos crimes cometidos pelo regime de 1964 fortaleceu setores golpistas e preservou no interior do Estado mecanismos de repressão voltados contra os direitos democráticos da população.
O partido ainda procura diferenciar o ato das iniciativas limitadas a cerimônias oficiais ou a manifestações genéricas em defesa das instituições e da democracia. A proposta anunciada para a atividade é concentrar a atenção nos lutadores assassinados, na violência do regime e na necessidade de uma mobilização independente dos trabalhadores contra toda a herança deixada pela ditadura, seja nos quartéis, no Judiciário ou no aparato repressivo em geral.





