Moradia

Aluguéis de Nova Iorque estão acima do que a população pode pagar

Em meio a preços médios que ultrapassam US$ 3,6 mil por mês, quartos em residências religiosas aparecem como alternativa por valores bem menores

St. Agnes Residente, em Nova Iorque

Moradores de Nova Iorque passaram a recorrer a residências religiosas administradas por freiras diante da disparada dos aluguéis, mostrou uma reportagem do Wall Street Journal publicada na quinta-feira (11). O fenômeno envolve jovens trabalhadores que não conseguem arcar com os preços cobrados por moradias comuns e encontram em conventos e casas católicas uma alternativa mais barata, embora marcada por regras rígidas.

A situação revela que até pessoas empregadas são empurradas para arranjos excepcionais de moradia em uma das cidades mais caras dos Estados Unidos e de todo o mundo.

O aluguel pedido em Nova Iorque chegou a patamares incompatíveis com a renda de grande parte da população. Em meio a preços médios que ultrapassam US$ 3,6 mil por mês, quartos em residências religiosas aparecem como alternativa por valores bem menores. Há casos de moradoras que pagaram cerca de US$ 1.650 por mês na Sacred Heart Residence, em Chelsea, e depois US$ 1.200 por mês na St. Mary’s Residence, no Upper East Side. Outras opções citadas incluem a St. Agnes Residence, com valores a partir de US$ 950, e o Centro Maria, no Bronx, com quartos por cerca de US$ 800.

Essas moradias costumam oferecer quartos mobiliados, refeições, contas incluídas e um ambiente considerado mais seguro do que aluguéis improvisados em plataformas digitais ou divisões informais de apartamento. Muitas aceitam moradoras que não são cristãs e não exigem participação religiosa. A procura, no entanto, aumentou justamente porque a cidade tornou a moradia comum inacessível para jovens profissionais, estudantes e trabalhadores em início de carreira.

O preço menor vem acompanhado de restrições. Algumas casas têm toque de recolher, proibição de álcool, regras para visitantes homens e tarefas coletivas. Em compensação, muitas moradoras destacam a previsibilidade do custo, a ausência de contratos longos e a convivência comunitária. Jantares compartilhados, atividades coletivas e contato cotidiano com freiras criam um tipo de moradia intermediária entre pensão, residência estudantil e abrigo religioso.

O fato de trabalhadores procurarem conventos para conseguir morar em Nova Iorque mostra a profundidade da crise habitacional. A cidade, centro financeiro dos Estados Unidos, concentra capital, turismo, sedes empresariais e imóveis de alto valor, mas expulsa da moradia comum parte dos trabalhadores que sustentam sua rotina.

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